Curadoria cultural da cerimônia reuniu cerâmica de Dona Lourdes, algodão paraibano, crochê e cordel para valorizar saberes tradicionais do Nordeste
O barro das louceiras de Cajazeiras foi um dos símbolos da decoração do casamento da cantora Juliette Freire com Kaíque Cerveny, marcado por forte presença da cultura paraibana. A curadoria artística e cultural ficou a cargo do produtor Thiago Buriti.
Segundo ele, a proposta evitou usar os elementos apenas como adereços ou referências folclóricas, e priorizou a origem dos materiais, a agricultura familiar e o trabalho de mestres artesãos. Entre os destaques está o trabalho de Dona Lourdes, do bairro São José, em Cajazeiras. “A força do gesto do barro de Dona Lourdes apresenta muito mais do que a confecção de utensílios de cerâmica: é um símbolo de resistência cultural, identidade e afeto”, afirmou Thiago.
A curadoria também incluiu o algodão do Agreste, a Associação das Crochêteiras do Marinho, em Boqueirão, e a produção de cordel da Lira Nordestina, de Juazeiro do Norte (CE). Para o produtor, a “rusticidade do barro, em contraste com a delicadeza do algodão” traduz a essência do casal.
Thiago contou que o primeiro contato com Juliette ocorreu em novembro de 2025, durante as articulações para a Expedição Cariri, realizada em janeiro de 2026. O convite para o casamento veio meses depois, e o trabalho buscou conectar os desejos dos noivos às manifestações culturais do território.