Prevaleceu a máxima: no Brasil, até o passado é incerto. Depois de um segundo turno eletrizante, que contrariou pesquisas e quebrou paradigmas eleitorais, como o de que o vencedor do primeiro turno sempre ganha a eleição presidencial. Coube a um nordestino protagonizar a primeira virada eleitoral da história da redemocratização numa corrida rumo ao Planalto.
Afora a lambança protagonizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. Ele atropelou a condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma decisão controversa, prorrogando em duas horas a votação. Motivada por denúncias de dificuldades no transporte público, o pleito transcorreu em clima de relativa normalidade. A decisão, posteriormente restringida às seções ainda abertas, provocou perplexidade e reacendeu o debate sobre os limites institucionais.
Com 81 anos, o pernambucano Lula entra para a história como o primeiro presidente da República eleito quatro vezes pelo voto popular. Talvez seja seu último mandato de uma carreira política controversa, marcada pela idolatria, uma temporada na prisão e pela pecha de corrupto atribuída por seus opositores. Ao término do mandato, em 2030, serão 16 anos no poder, aproximando-se dos quase 19 anos de Getúlio Vargas. Um feito inédito desde a Constituição de 1988.
Reeleito neste domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, Lula tornou-se o presidente mais votado da história do Brasil. Foram 64.256.232 votos que lhe conferem legitimidade para pacificar o país e promover as reformas necessárias. A virada começou após a derrota no primeiro turno, quando percebeu que seu governo analógico estava desconectado das redes sociais e das ruas. Passou, então, a ouvir assessores e marqueteiros.
Em três semanas, estimulou manifestações que ocuparam espaços públicos pelo país, produzindo imagens que demonstravam a possibilidade da virada, tamanho o engajamento de sua militância. Nesse ambiente, ganhou força a estratégia digital associada ao deputado André Janones, com a mobilização do chamado “Exército de Lula”, transformando apoiadores em produtores de conteúdo e revelando um irreconhecível Lula digital, fazendo lives e defendendo sua reeleição. Um avanço extraordinário para quem sequer tinha celular.
Lula encontrará um Brasil fiscalmente fragilizado, ideologicamente dividido e institucionalmente tensionado. No Congresso, enfrentará uma oposição expressiva, exigindo diálogo, negociação e construção de consensos. Precisará também lidar com as críticas à politização do Supremo Tribunal Federal, preservando a independência dos Poderes, a autocontenção institucional e os limites constitucionais.
Seu maior desafio será conciliar promessas eleitorais com a dura realidade das contas públicas, marcada por dívida elevada, juros altos e restrições orçamentárias. Sem responsabilidade fiscal, não haverá crescimento sustentável, investimentos consistentes nem políticas sociais duradouras.
O êxito de seu provável último mandato dependerá da capacidade de ouvir as ruas, desarmar a polarização e promover reformas estruturais. Lula recebeu das urnas uma vitória histórica, mas também uma responsabilidade gigantesca: governar para todos, reconstruir consensos e devolver ao Brasil a confiança no futuro. A eleição terminou. Agora começa o verdadeiro desafio de governar.
Crescimento sustentável, investimentos consistentes, políticas sociais duradouras.
Balelas!
Mudou grupo político, ideologia, figuras ditas líderes do povo.
Muda tudo!
Sustentável, consistente, duradouros, palavras da moda.
O que vale são interesses!