De volta a Cajazeiras

Meus caros heróis, estive em Cajazeiras, depois de uma breve estada na capital de nosso Estado, uma Cajazeiras de 833.633 habitantes, segundo o último censo, banhada pelo Oceano Atlântico.

Visitei alguns amigos, entre eles o fabuloso Ferreirinha, que, apesar de seu adiantado Alzheimer, não só me reconheceu como me chamou pelo nome completo e ainda aceitou meu convite para ir ver as “profissionais”, embora eu tivesse sido informado de que ele já não conhecia mais ninguém.

Depois fui percorrer as ruas do passado, mas as pessoas conhecidas, em muitos casos, já tinham sido substituídas, e os lugares que eu conhecia haviam mudado, com exceção da Catedral e da Matriz, que ainda conseguem resistir, não sei por quanto tempo.

Na Câmara dos Vereadores, descobri que a jornada de trabalho é de 2×5, com duas horas trabalhadas. Muito parecida com a jornada que se tenta implantar no restante do país, a de 5×2. E, apesar das especulações sobre as eleições para presidente, deputado e senador, as conversas giram mais em torno da sucessão da Prefeitura, que praticamente se mudou da antiga sede.

Agora, uma coisa eu consegui perceber: a Cajazeiras em que cresci, com algumas exceções, praticamente desapareceu, apesar do asfaltamento e da construção de novas escolas públicas.

Alguns lugares, como a Gráfica Pontual, de João Eudes Cartaxo, e o SINTRACS, de Ciloca e Cantarelli, mudaram-se para a Zona Sul da cidade, e não foi possível visitá-los.

Os temas da cidade continuam os mesmos, os mais óbvios: “Como está a algodoeira?”, que conseguimos vender há mais de cinco anos. “E a usina? Vocês quebraram?” Esse é o nível de algumas perguntas em nossa cidade, cujos maus empreendedores vivem a torcer pelo fracasso dos outros.

Os homens têm a tendência natural de se satisfazer com o fracasso alheio. Se assim não fosse, o quadro Pegadinhas do Faustão não teria feito tanto sucesso por mais de trinta anos. Mas, em Cajazeiras, parece existir uma satisfação mórbida em saber que alguém se deu mal.

Temos o eterno exemplo do hoje Centro Universitário Santa Maria. No princípio, a cidade nutria um ódio mortal pela iniciativa de Ana e Sheila. Hoje, porém, muitos tiveram de se render ao sucesso tão indesejado da instituição.

Infelizmente, os “pais fundadores” de Cajazeiras ficaram grandes demais para a cidade e emigraram para centros maiores, onde desenvolveram melhor seu potencial. João Claudino, que foi para Teresina; Eliéser Rolim; Marcélia Cartaxo; Bertrand; Buda Lira; e Tardelly Lima. Todos tiveram que sair de Cajazeiras para explorar suas capacidades.

E seus substitutos não estavam à altura. E os que estiverem, infelizmente, também terão de emigrar, ficando apenas os menos competentes.

E nossa Cajazeiras evoluindo a passos cada vez mais lentos.

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