As velhas amizades que o tempo não acaba

Caros heróis. No último domingo, compareci à comemoração de aniversário de um amigo de muito longa data, acompanhado de amigos que também fizeram parte de minha história pessoal. A amizade é um sentimento que pode ter diversos significados, dependendo da pessoa, da relação e do lugar, e tem significados impressionantes. Foi o caso desse último domingo, quando comparecemos à comemoração dos 81 anos de um velho amigo que eu não via havia mais de três décadas: Alarico Correia Filho.

Quem conseguiu a proeza foi sua esposa, Ana Maia Correia, que teve a diligência de garimpar velhos conhecidos, entre eles eu. E existe um detalhe que me põe na “cena do crime”: sua filha, Íracles, é homônima de minha mãe. Uma antiga amiga de Alarico, que ele resolveu homenagear batizando-a com o estranho nome de minha genitora. Foi, para mim, uma estranha viagem ao passado, pois havia mais de 47 anos que eu não ouvia o nome de minha mãe ser proferido para mencionar uma pessoa viva, bastante diferente das menções ao mito em que minha mãe é citada tantas vezes. Em vez da figura meio mitológica, já falecida, o nome era dirigido a alguém deste mundo, viva, casada e mãe de família. Confesso que tive inveja desses, pois, desde 1978, quando me despedi de minha mãe, que viajou para o Rio e de lá voltou num caixão. Ousei até chamá-la de “mamãe”. Foi até o fundo de minha alma.

Mas, sem egoísmo, fomos para a festa de Alarico com uma turma em que alguns não se viam havia 40 anos. E parecia que o tempo não havia passado. Germano, Ubira, Beto, Zilma, Delmira, o próprio Alarico, Aninha e sua grande descendência se incorporaram rapidamente ao ambiente, ou, mais exatamente, nós nos incorporamos ao ambiente deles. E era um ambiente extremamente, digamos, sadio, muito diferente de nossas famílias que se dizem “modernas”, em que as festas familiares se transformam numa espécie de campo de batalha, onde se aproveita o momento para dar prosseguimento às disputas familiares e às comparações de egos…

O aniversário transcorreu com a liturgia normal: bolo, vela, palmas e degustação. Os netos fizeram a festa. Entre nós havia os com a glicemia alta, mas ninguém tratou de receitas, medicamentos, exames e aquelas outras coisas que dão a tônica aos encontros dos que viveram mais de meia década…

Foi tudo tão rápido que logo o sol foi se pondo e chegou a hora de partir. Um até logo, nunca um adeus. E a convicção de que as relações, quando estabelecidas em bases sólidas, remanescem, apesar do longo interregno transcorrido.

Fica a esperança: as boas coisas do passado, quando não existem interesses outros envolvidos, não só ficam, mas as raízes permanecem e, quando se recorre a elas, estão lá. Espero que as novas gerações tenham esse tipo de relacionamento tão saudável. Fica meu agradecimento por tudo o que aconteceu. As coisas boas remanescem…

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