Fronteiras da prosperidade ou da miséria?

O município de Cajazeiras é um dos mais ricos da Paraíba em solo fértil e em volume d’água. Por que esta afirmação? Neste período, os dois maiores reservatórios do município estão com quase 230 milhões de metros cúbicos de água armazenada, além das reservas das barragens da Transposição: Caiçara e Boa Vista. Essas águas estão sendo liberadas, pouco a pouco, para irrigar as terras dos municípios de Santa Helena, São João do Rio do Peixe, Sousa, Nazarezinho e Aparecida, e o que esses municípios não aproveitam vai se armazenar nos açudes do Rio Grande do Norte. Temos água, energia, mas faltam tecnologia e capital.

Estamos vendo, a cada segundo, a riqueza passando à nossa porta e seguindo para outras regiões. Basta citar o exemplo do Rio Piranhas, que corta, com suas águas, mais de 100 quilômetros do território do município de Cajazeiras. E o que dela aproveitamos? Talvez 1%.

Os prefeitos municipais que, nos últimos 40 anos, administraram esta cidade nunca tiveram a preocupação de promover ações públicas com investimentos mais agressivos na área agrícola. O município de Cajazeiras poderia ser, a partir dos rios Piranhas e do Peixe, o maior produtor de frutas e legumes da Paraíba. O que estaria faltando? Planejamento, talvez?

Qual o currículo das escolas de Engenheiro Avidos, Divinópolis e Cocos, apenas para citar as três maiores situadas na zona rural do município? Técnicas de irrigação, zootecnia, pastagem, seleção de sementes? Garanto que não. Talvez não tenhamos nenhuma disciplina que possa tornar capazes os jovens que as frequentam de se tornarem produtores rurais qualificados. Através da educação, poderíamos aumentar a produção de alimentos no campo.

Quantos seminários já foram promovidos pela Secretaria de Agricultura do município para descobrir as potencialidades de cada região, incentivando os proprietários rurais a utilizarem novas técnicas, desde a escolha da semente, preparo e manejo do solo até a produção e comercialização?

O fato é que não temos uma política voltada para a agricultura. Desde que o algodão deixou de reinar na economia local, não encontramos ainda uma cultura que o substituísse e que tivesse condições de empolgar o nosso agricultor para cultivá-la. Mais recentemente, houve uma tentativa de introduzir a mamona como alternativa, mas, além de certa resistência por parte de alguns pequenos proprietários, é um tipo de cultura que não pode ser consorciada com a criação de gado, e este talvez seja o maior empecilho para o sucesso, na nossa região, da cultura da mamona.

O fato é que temos terra, água e energia elétrica em quase todo o município, mas nos faltam capital, tecnologia, incentivo, orientação, educação e políticas sérias de comercialização da produção. Poderíamos ser um município agrícola de grande importância em todo o Nordeste, uma verdadeira fronteira da prosperidade. Mas o que é que somos? Uma fronteira da miséria.

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  1. Parabéns pela lucidez desta matéria. Ela consegue fazer algo raro: ao mesmo tempo em que apresenta fatos e críticas consistentes, também aponta horizontes e caminhos possíveis para a transformação da região.

    Este é um texto que deveria ser leitura obrigatória para a classe política municipal, estadual e nacional, bem como para empresários, investidores, pesquisadores e extensionistas. O desenvolvimento de uma região depende da capacidade de unir visão estratégica, conhecimento e ação.

    É difícil compreender como, após tantas décadas, uma região tão rica em recursos naturais, potencial humano e vocação produtiva como Cajazeiras e seu entorno ainda não tenha consolidado um rumo voltado à sustentabilidade produtiva, econômica e financeira.

    Que este artigo não seja apenas mais uma boa reflexão, mas um convite ao debate e, principalmente, à construção de soluções capazes de transformar potencial em prosperidade para toda a região.

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