Garotos peladeiros de Cajazeiras nos anos 1960

Quando não existia internet, celular e WhatsApp, os cajazeirenses, garotos peladeiros, eram vistos jogando bola no Estádio Higino Pires Ferreira, nos campinhos de chão batido dos colégios, nas quadras de futebol de salão — hoje, futsal — do Tiro de Guerra, no Clube 1º de Maio, no Tênis Clube e até mesmo no meio das ruas.

Afinal, bastava chegar algum garoto com uma bola debaixo do sovaco e logo iam chegando outros para participar daquele momento tão divertido que é o mundo da bola. Não importava se era bola de meia, de borracha, de couro ou até mesmo uma bola feita com jornais velhos. Só não dava para jogar com a bola de pingue-pongue, porque era impossível, devido ao seu tamanho. Na formação das equipes, um time jogava com camisas e o outro sem camisas, para uma melhor visualização.

Sobre os peladeiros daquela época, chamavam a atenção dos senhores que investiam e criavam times de futebol em Cajazeiras. Sendo assim, muitos garotos acabavam se destacando nas equipes e, quando adultos, tiveram a oportunidade de jogar em grandes equipes da cidade, a exemplo do Santos, de seu Sérgio David; do Estudante, de Zé Gonçalves; do Botafogo, de Edson Feitosa; do Ibis, de Mimita; do Cajazeiras Futebol Clube, de Chico Bem-Bem, e tantos outros times.

Naquela época, não existiam academias de atividades físicas em Cajazeiras, a exemplo dos dias de hoje, que foram instaladas até nas pracinhas das cidades. Os grupos escolares e colégios é que dispunham dessas atividades, e o futebol era a melhor atividade física que os garotos e jovens procuravam para se divertir.

O garoto, quando nasce, muitas vezes recebe como primeiro presente de aniversário, no Natal, no Dia da Criança ou mesmo que não seja em nenhum momento de comemoração, uma bola de futebol. E começa a jogar bola dentro de casa, na sala, na garagem, no quintal ou no muro, sempre na companhia de uma pessoa adulta, que seria o pai, um irmão ou mesmo uma irmãzinha um pouco mais velha que ele.

A bola e o carrinho são os dois presentes mais fascinantes que uma criança recebe e, em retribuição à pessoa que lhe presenteou, agradece com um belo sorriso no rosto.

“O sorriso de uma criança é uma dádiva de Deus.”

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