Meus caros. Numa discussão acadêmica de coisas banais, eu, por acaso, toquei num ponto em que nunca tinha pensado antes, mas que, cada vez mais, faz todo o sentido. Nós, cajazeirenses ou não, mas que gostamos de Cajazeiras, em especial o locutor que vos fala, temos criticado e sempre criticamos a falta de representantes de nossa terra para impulsionar os projetos de que Cajazeiras tanto precisa. Agora, nesse caso específico, eu fico a bradar: “o trem está parado!!!”, mas nada faço para que o trem comece a andar. Essa minha omissão, eu me avaliando como tenho avaliado os outros, é algo que merece repreensão.
Decerto, deixar para que nossos representantes venham a impulsionar nossos interesses, pelo fato de que eles foram eleitos por nós, é jogar toda a culpa para terceiros que, além de não saberem quais projetos devem ser levados à frente, ainda têm seus próprios projetos pessoais para tocar. Nossa Prefeitura fica muito distante de nossa Capital. Então, por que nós, que amamos nossa cidade, não podemos ajudá-la, mesmo estando fora dos governos e dos cargos? Um projeto no IPHAEP ou na SUDEMA? Tive casos, quando morava em Cajazeiras, em que os obsequiosos burocratas do IPHAEP sequer recebiam as correspondências para lá enviadas, e essas retornavam ao remetente. Um absurdo! Da mesma forma, nossos projetos podem estar adormecidos em alguma cadeira de algum burocrata, e, se alguém comprometido com nossa cidade conseguir chegar a esse específico burocrata e fazer com que ele retire esse projeto do seu “berço esplêndido”, as coisas de nossa cidade podem ter uma dinâmica maior.
Eu, por exemplo, sou uma pessoa que ama muito minha cidade e que me acho subutilizado aqui nesta João Pessoa, mas, para isso, precisamos de alguma coordenação.
Também nossos representantes devem relevar seus projetos pessoais e se associarem a uma agenda mínima, lutando por ela. Em nada serão diminuídos ajudando nossa terra, em vez de apenas se concentrarem nos seus projetos pessoais. Isso também nós, como cajazeirenses, podemos cobrar de todos eles.
Assim como cobrar de nossa edilidade quais são os projetos mais importantes para a nossa cidade, sem autoria e sem discriminações.
Foi o que Carlos Lacerda fez quando foi eleito governador do Estado da Guanabara: terminou as obras inacabadas dos antecessores, desengavetou e executou projetos de décadas, e um túnel, como o Rebouças, que foi o maior túnel urbano do mundo na época, ele abriu e atravessou de fusquinha. Negrão de Lima, seu sucessor, teve de completar a obra.
Castelo Branco extinguiu as reformas de Jango, mas promulgou o Estatuto da Terra, um avançado sistema que organizava a ocupação e dificultava a criação do minifúndio improdutivo. Geisel, anticomunista, criou a EMBRAPA e outras estatais que muito contribuíram para o crescimento de nosso país, inclusive a Nuclebrás, que, se não tivesse sido destruída, poderíamos ter nossa força de dissuasão como a Coreia do Norte tem. A Embraer, hoje a terceira maior fabricante de aviões do mundo, foi desse tempo. E a Boeing tentou comprá-la e transformá-la em sucata?
Pois é, precisamos fazer o dever de casa, tanto em termos de Cajazeiras, como da Paraíba e do Brasil. A gente tem que aprender a gostar de si mesmo…