Meus heróis, que ainda teimam em ler o que escrevo. Dentre todas as notícias que foram publicadas durante as festividades comemorativas do “Dia da Cidade” em Cajazeiras, teve uma que quase ninguém leu: tratava da abertura da comporta da barragem da Caiçara para perenizar o Rio Bartolomeu.
Mas o que tem a ver esse detalhe ínfimo com Cajazeiras? Tudo! Agora, com essa abertura, o rio que será perenizado vai suprir os sítios Bartolomeu, Arruído, Caiçara, Terra Molhada, Batateira, Cachoeirinha, Xique-Xique, Caldeirão, Patamuté, Queimadas, Angelim, Gadelha, Santo Antônio, Poços, Almas, todos os Catolés, e vai descendo em busca de Marizópolis e Sousa…
Agora, em vez de Cajazeiras servir apenas de “pote”, como bem descreveu Josival Pereira — esse natural do Xique-Xique —, vamos ter o conteúdo do pote: a água percorrendo nosso município de Norte a Sul.
Finalmente, nossa Cajazeiras chega ao Século XX. Pois tal obra, imaginada ainda no Império, foi detalhada pelo imortal Euclydes da Cunha, em dois artigos famosos publicados em 1907, convocando todo o Brasil. Os títulos: “Plano para uma Cruzada 1 e 2”, que seria a transposição de uma parte do Rio São Francisco para as bacias do Piranhas/Açu, Jaguaribe e Pajeú. Precisamente os eixos Norte e Leste da Transposição que ora se concretiza.
Pronto: o mais importante está feito. Agora é convocar e formar técnicos para que se produzam projetos viáveis; que não sejam como o de São Gonçalo, em que se desperdiça 80-90% da água em evaporação e em rejeitos inúteis — os israelenses visitaram esse projeto e, no outro dia, foram embora. Descartaram como absolutamente inviável para eles — e se aproveitarem as novíssimas tecnologias, como a microaspersão e o gotejamento monitorado por computador, somente para dar um exemplo.
Aqui a coisa funciona assim: ou o agricultor fica na Idade Média e suas tecnologias — algumas até funcionam — ou vai para o Terceiro Milênio, com as novíssimas técnicas. O mais importante está disponível: a água; o restante fica a cargo de nossa competência/incompetência.
O progresso escancarou nossa porta. Tudo vai depender de como vamos tratá-lo. Mas, se nós não tivermos a competência necessária, outros chegarão e ocuparão nosso lugar. Isso é irreversível.
Um cafezinho, uma boa prosa, umas aulinhas e a gente faz nosso futuro. Está em nossas mãos como nunca esteve. O Padre Rolim, o Comandante Vital, o Coronel Matos e todos os outros grandes vultos de nossa História nunca tiveram uma oportunidade dessas. E não merecem ser decepcionados por nós, os continuadores de sua obra, que foi edificar essa cidade como ela merece.
É isso.
P. S. – Dedico essas linhas ao grande músico que ora nos deixa, mestre Milton Cabrinha. Que tenha o seu merecido lugar entre os eleitos, e vai fazer muita falta a todos nós cajazeirenses. O pistom que se cala, o silêncio ensurdecedor…