O novo grande jogo

Meus caros e raros. Novamente tenho de compor um texto sobre a nossa geopolítica, pois, como estamos a quatro meses de nossas eleições, aquelas que vão decidir o caminho pelo qual o país deverá seguir nos próximos quatro anos, não ter um posicionamento é quase um ato de covardia.

Existe a tal polarização e um mundo em transição para a bi ou multipolaridade. Como nosso país se encontra em uma posição muito favorável em termos das grandes disputas geopolíticas mundiais, longe da China, da Europa e, relativamente, dos Estados Unidos; distante das guerras do Oriente Médio e da Ucrânia; além de não termos dependência do petróleo que passa pelos estreitos de Ormuz, Malaca e Bab el-Mandeb (nome feio), temos nossa bela costa atlântica à disposição de quem quiser aportar e fazer negócios conosco, nativos.

Existem gargalos, como o Canal do Panamá, para acesso ao Pacífico, mas já há alternativas, tanto pelo sul da América quanto pelo sul da África, através do Oceano Índico. Nenhum obstáculo pode ser interposto de forma definitiva ao nosso país.

De outro lado, temos a segunda maior reserva de terras raras do mundo, considerando apenas os 40% já catalogados, faltando ainda quase toda a Amazônia. Temos as maiores e melhores terras agricultáveis do planeta, produzindo mais e melhor, além de um potencial de energia renovável que está longe de ser completamente aproveitado. Possuímos 12% da água doce do mundo, enquanto mais de 60% do restante encontra-se congelado no continente Antártico, sem possibilidade de utilização direta. E muito mais eu poderia citar.

Na realidade, somos uma potência econômica que ainda não descobriu a própria força, enquanto outras nações tentam nos transformar em colônia. Mas o Brasil é um país-continente. Nunca, por piores que sejam nossos governos ou mais entreguistas que sejam nossos governantes, nossas riquezas deixarão de estar aqui. E, para serem exploradas, os interessados terão de vir até aqui, construir infraestrutura industrial para a separação e o refino desses recursos.

Não será como ocorreu com o pau-brasil, que bastava cortar e embarcar nos navios rumo à Europa, nem como o ouro, que era tecnicamente “quintado”, ficando o dono da data com quatro quintos da produção. Na realidade, esse ouro era tributado como se houvesse uma produção fixa e, quando as minas não atingiam essa quantidade, o restante era cobrado.

Agora não. Se houver um governo minimamente inteligente, as indústrias terão de vir para cá. O Brasil, que já perdeu tantas oportunidades, terá uma janela para aproveitar todo esse momentum e se firmar não como um jogador de segunda divisão, mas como um grande player entre as potências que emergirão neste milênio. É uma questão de saber como se comportar em campo.

As cartas estão sendo distribuídas. Vamos ver qual será a nossa habilidade como jogadores desse novo jogo. A grande diferença é que, desta vez, podemos ganhar.

Nas outras vezes, quase todas as cartas estavam marcadas. Desta vez, nem todas.

Chegou a hora de colocar a nossa “malandragem”, esse jeitinho brasileiro tão conhecido, para trabalhar a nosso favor, e não contra nós mesmos. Com certeza, seremos respeitados. Eles se acham malandros, mas esta é a terra da malandragem. Basta descartar os “malandros otários” que sempre desmandaram no país.

Mas vai dar trabalho, e muito. Chegou a hora de chamarmos nossos Garrinchas para driblar toda a zaga.

Temos esses Garrinchas, temos nossos Denílsons, mas devemos escalá-los…

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