Por onde anda Cajazeiras?

“Cajazeiras não anda a pé: transporte púbico já”.

Esse mote vem alimentando o movimento organizado por entidades sindicais, estudantis, comunitárias e sociais que, articuladas em várias ações, estão coletando assinaturas em um abaixo-assinado a ser encaminhado às autoridades municipais, sobretudo, prefeita, exigindo a instituição de uma política de serviço de transporte coletivo público. O movimento estabelece ainda como parâmetro que esta política defina a gratuidade do transporte público, como já é prática em vários municípios brasileiros e, mesmo, em várias localidades planeta afora.

A relevância política do movimento dispensa maiores comentários. Basta ver a densidade e a quantidade de entidades e movimentos engajados nesta articulação. Isso demonstra que, a revelia de críticas e comentários inconsequentes, não existem interesses pessoais ou de “grupelhos” alimentando e gestando essa demanda. O que alimenta e move o plebiscito na defesa do transporte público e gratuito para Cajazeiras é a questão política e social.

Senão, vejamos: o município de Cajazeiras, segundo dados do IBGE, de 2022, tem 63.239 habitantes. Desse total, o percentual de aproximadamente 50.576 habitantes reside na zona urbana. Essa proporção representa cerca de 80% da população total vivendo na cidade. E mais: os dados revelam ainda que, no município de Cajazeiras, o salário médio mensal dos trabalhadores formais é de 1,8 salários mínimos, como 11.624 pessoas ocupado postos de trabalho formais. Fechando os dados, o IBGE revela que o percentual da população com rendimento nominal mensal per capita de até 1/2 salário mínimo é de 43,1%.

Os dados, portanto, revelam uma questão crucial: como essa população que mora na cidade realiza, diariamente, seus deslocamentos para acessar escolas, trabalho, feiras, mercearias, supermercados, igrejas, templos, hospitais, farmácias, postos de saúde?

Ou melhor: todos esses serviços estão disponíveis para a população em distâncias próximas de seus locais de moradia?

E mais: com quase cinquenta por cento da população recebendo até meio salário mínimo, essas pessoas tem folga em seus orçamentos para bancar, por exemplo, os serviços de mototáxi, cuja corrida apenas para o centro e bairros próximos, custa sete reais? Ou seja, mensalmente, cerca de quatrocentos reais devem ser dispensados apenas para a locomoção do trabalhador de sua casa para o local de trabalho. Não comprometendo o orçamento para ter que conviver com carências e, mesmo falta, de itens necessários a sobrevivência, muitos são forçados a realizarem, diariamente, longas caminhadas, sob um forte sol e precárias condições, para acessar escolas, trabalho e outras demandas.

Assim, a definição de uma política pública estabelecendo o transporte público e gratuito para o município de Cajazeiras representa não uma bandeira eleitoreira, mas uma relevante necessidade social e política.

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