Quando eu tinha mais ou menos nove anos de idade, lembro-me que, em Cajazeiras, havia poucos carros e motos e mais bicicletas, ao contrário de hoje. Na cidade, havia duas revendedoras de bicicletas das marcas Monark e Caloi. Jota Epaminondas Braga, que funcionava na Rua Juvêncio Carneiro, numa esquina, ao lado da Prefeitura, e a outra era o Armazém Paraíba, na Rua Padre José Tomaz, entre duas lojas: Casas Pernambucanas e o Armazém das Fábricas. Eu gostava de entrar nessas duas lojas para olhar as bicicletas e ficava imaginando quando é que eu ia comprar uma.
Além das pessoas de Cajazeiras, que compravam bicicletas nessas duas lojas, havia também os matutos — moradores dos sítios e fazendas — e, quando eles compravam bicicletas em Cajazeiras, logo após, se dirigiam à oficina de vendas de acessórios e consertos de bicicletas de seu Felismino, na Rua da Tamarina, próxima ao Clube 1º de Maio. Nessa oficina, eles mandavam equipar a bike.
Colocavam a “capa do selim”, que tinha o escudo dos times do Rio de Janeiro — Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo. O “bagageiro” do carona era forrado e confortável. As “lameiras dianteira e traseira”, com pequenas lâmpadas de enfeite nas cores verde e vermelha. O “farol” acendia através de um dínamo, que ficava ao lado do pneu dianteiro e gerava energia à noite. A “antena” era parafusada na ponta do eixo dianteiro. A “buzina” era de aço e tinha uma pequena manivela que, pressionada, gerava um som igual ao de uma sineta ou de uma buzina de plástico igual à da foto.
Naquela época, havia um dizer em que as pessoas falavam: “Tu tá mais enfeitado que bicicleta de matuto” ou “Tá mais enfeitado que lapinha”. Isso se referia às coisas que tinham muitos enfeites.