Em 1957, minha família — pais e irmãos — morava na Avenida Presidente João Pessoa (conhecida como Praça João Pessoa). A casa ficava perto do baldo do Açude Grande. Em 1958, mudamos para a Rua Pedro Américo, ao lado do prédio das Freiras, próximo à Praça do Espinho. Morando nessa rua, fui matriculado no Grupo Escolar Dom Moisés Coelho, localizado em frente à Praça do Espinho. Portanto, foi nesse grupo que cursei o Primário e o Programa de Admissão.
Lembro-me do seu pavilhão, onde, na hora do recreio, todos os alunos se dirigiam para lá e participavam das rodinhas de bate-papo, das paqueras e das pequenas brincadeiras. O pavilhão era composto de cantina, despensa, onde se guardavam os mantimentos, e dois sanitários. Lembro-me, ainda, de que, na hora do recreio, o grupo fornecia um copo de leite em pó, conhecido como “leite de posto”, para cada aluno e esse leite era doado pelo Governo Americano, por meio do programa Aliança para o Progresso. Ficávamos em fila para receber o copo de leite. Eram copos de plástico nas cores verde, rosa e branca. O leite era bastante forte e, se tomado em grande quantidade, às vezes causava diarreia. Mesmo assim, quando sobrava leite, a merendeira dona Olívia, esposa de seu José Vilar, distribuía o restante para quem quisesse. Muitas vezes, arrisquei-me a tomar vários copos e, depois, acontecia o pior.
As festas juninas eram realizadas no pavilhão, que ficava decorado conforme a tradição junina. Outros eventos também eram realizados ali. Muitas vezes, ficávamos perfilados no pavilhão para cantar o Hino Nacional antes do início das aulas. O grupo também participava do desfile de Sete de Setembro, entre outros eventos. Os ensaios da banda filarmônica e dos alunos eram realizados ao redor da Praça do Espinho.
Desse grupo tenho muitas lembranças, porque ali existia um campinho de futebol e era lá que eu jogava pelada com meus amigos. Muitas vezes, a bola, quando não era de borracha ou de couro, era feita com uma meia de sapato, recheada com bucha, que os mecânicos usavam para limpar o óleo do motor dos carros. Cito alguns nomes de colegas que faziam parte do time, ou dos times: Virgílio Augusto, William Carioca, Edmar Tebejim, Eudimacir, filho de seu Moacir, Reudim, Nenen, filho de dona Nazaré Lopes, Gutim, filho de seu Germano, Gilberto, filho de dona Odília, Giquirí, filho de seu Esmerindo Cabrinha, meus irmãos Toinho, Valdin, Eduardo e Ivaldo, entre outros.
Lembro-me de que, na beira do campinho, havia um tanque de alvenaria, sobre o qual não sei informar quando foi construído nem para qual finalidade. Quando chovia, esse tanque acumulava água e, dentro dele, havia muitos sapos (cururuzões), pedaços de pau e pedras. Esse tanque servia apenas de assento para os jogadores que ficavam na reserva e não davam muita importância aos cururus. A gente só tinha um problema para jogar: o vigia do grupo, Expedito Cabeção, que, muitas vezes, não deixava a garotada jogar bola e saía correndo atrás da gente com um pedaço de pau, ameaçando quem teimasse em jogar.
Nesse grupo funcionou, em 1963, o Colégio Estadual, quando este foi criado, sendo posteriormente transferido para o novo prédio na Avenida Pedro Gondim. Foi ali que comecei a cursar o Ginasial.
Na época, dona Angelina Tavares era a diretora e muito rigorosa com os alunos. Dos vários professores que lecionaram no grupo, lembro-me de dona Alzenir Batista, esposa de seu Cícero, do Foto Recife; dona Clizelite Pinheiro Assis, mãe de Bira; dona Nilcéia Claudino; dona Ilma Braga, esposa do sargento Barbosa; dona Marizete Marques, entre muitos outros.