Em nove votações, país viveu redemocratização, reeleições, a primeira mulher presidente e disputas cada vez mais apertadas
Desde 1989, o Brasil realizou nove eleições diretas para escolher o presidente da República, e o segundo turno de 2026, neste domingo (25), será a décima. O período foi marcado pela retomada da participação popular após a ditadura militar, pela consolidação do sistema de dois turnos, por reeleições e por disputas que refletiram as transformações da sociedade brasileira. Nesse intervalo, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro foram eleitos para comandar o Palácio do Planalto. Os resultados oficiais podem ser consultados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
1989. A eleição marcou o retorno do voto direto para presidente depois de quase três décadas, em meio à redemocratização, e teve vários candidatos, entre eles Collor (PRN), Lula (PT) e Leonel Brizola (PDT). Collor liderou o primeiro turno, em 15 de novembro, e venceu o segundo, em 17 de dezembro, com 35.089.998 votos (53,03% dos válidos), contra 31.076.364 (46,97%) de Lula. O pleito inaugurou a regra de dois turnos após a redemocratização.
1994. A disputa foi marcada pelo Plano Real, lançado naquele ano para combater a inflação. O então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), fez da estabilização econômica um dos eixos da campanha e venceu no primeiro turno, em 3 de outubro, com cerca de 54,3% dos votos válidos. Lula ficou em segundo, com cerca de 27%. Foi a primeira eleição presidencial desde a redemocratização decidida em um só turno.
1998. Candidato à reeleição, FHC foi reeleito no primeiro turno, em 4 de outubro, com 53,06% dos votos válidos, contra 31,71% de Lula, novamente na segunda colocação. A campanha ocorreu sob os efeitos do Plano Real e em meio a debates sobre emprego, crescimento e crises financeiras internacionais. FHC se tornou o primeiro presidente a conquistar a reeleição consecutiva desde a mudança constitucional que a permitiu.
2002. Após disputar em 1989, 1994 e 1998, Lula chegou à Presidência. No segundo turno, em 27 de outubro, recebeu 52.793.364 votos (61,27%), contra 33.370.739 (38,73%) de José Serra (PSDB). A vitória levou o PT ao comando do país, na primeira eleição presidencial totalmente informatizada.
2006. Lula disputou a reeleição contra Geraldo Alckmin (PSDB), em campanha marcada por debates sobre políticas sociais e crescimento e por denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo. No segundo turno, em 29 de outubro, foi reeleito com 58.295.042 votos (60,83%), contra 37.543.178 (39,17%).
2010. O país elegeu pela primeira vez uma mulher para a Presidência. Dilma Rousseff (PT), apoiada por Lula, que não podia concorrer de forma consecutiva, derrotou Serra no segundo turno, em 31 de outubro, com 55.752.529 votos (56,05%), contra 43.711.388 (43,95%). Ela tomou posse em janeiro de 2011.
2014. Candidata à reeleição, Dilma enfrentou Aécio Neves (PSDB) em uma das disputas mais equilibradas da história. O primeiro turno teve ainda Marina Silva, então no PSB, que assumiu a candidatura após a morte de Eduardo Campos em acidente aéreo. No segundo turno, em 26 de outubro, Dilma foi reeleita com 54.501.118 votos (51,64%), contra 51.041.155 (48,36%), diferença de pouco mais de 3,4 milhões de votos. Em 2016, ela deixou o cargo após processo de impeachment no Congresso.
2018. Em meio ao desgaste dos partidos tradicionais e à forte polarização, Jair Bolsonaro, então no PSL, fez campanha centrada em pautas conservadoras, segurança pública e críticas ao sistema político. Fernando Haddad (PT) concorreu após Lula ser impedido de disputar. No segundo turno, em 28 de outubro, Bolsonaro obteve 57.797.847 votos (55,13%), contra 47.040.906 (44,87%). A vitória encerrou quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT.
2022. Lula e Bolsonaro voltaram a se enfrentar, em meio a divergências sobre a condução da pandemia de Covid-19, a economia, os programas sociais e a confiança nas instituições. No segundo turno, em 30 de outubro, Lula venceu com 60.345.999 votos (50,90%), contra 58.206.354 (49,10%), diferença de 2.139.645 votos. Ele se tornou o primeiro presidente eleito para um terceiro mandato não consecutivo, em um segundo turno que foi o mais apertado da série entre 1989 e 2022.
2026. A eleição recoloca Lula e a família Bolsonaro no centro da disputa. No primeiro turno, em 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou na liderança, com 56.104.503 votos (47,03%), seguido por Lula, com 53.879.538 (45,16%). Como nenhum ultrapassou a metade dos votos válidos, os dois disputam o segundo turno neste domingo (25). Na sequência, ficaram Augusto Cury (Avante), com 2,89%, Renan Santos (Missão), com 2,24%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18%, segundo a totalização do TSE.
Ao longo das nove eleições entre 1989 e 2022, o país passou pela estabilização econômica do Plano Real, pela chegada do PT ao governo federal, pela eleição da primeira mulher presidente, pelo impeachment de Dilma e pela ascensão de Bolsonaro. Apenas duas disputas, as de 1994 e 1998, foram decididas no primeiro turno, ambas vencidas por FHC. Lula foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao cargo em 2022, enquanto Collor, Dilma e Bolsonaro tiveram uma vitória cada nesse recorte.
Na região de Cajazeiras, no Alto Sertão da Paraíba, o segundo turno de 2026 mobiliza 145.174 eleitores aptos a votar nos 15 municípios que integram a região geoadministrativa. Cajazeiras lidera o eleitorado regional, com 47.994 eleitores, cerca de 33% do total, seguida por São José de Piranhas (15.628), São João do Rio do Peixe (14.603) e Uiraúna (13.147). Juntos, esses quatro municípios reúnem 91.372 eleitores, aproximadamente 63% do eleitorado regional. Carrapateira tem o menor colégio eleitoral, com 2.458 eleitores. Em relação a 2024, o número total variou apenas 20 eleitores a menos, e Cajazeiras registrou crescimento de 259 eleitores no período. A votação ocorre das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
COM INFORMAÇÕES DO FONTE83