Moagem reúne famílias e 20 trabalhadores entre agosto e outubro; produção inclui rapadura, batida, alfenim e caldo de cana
No Sítio Riacho do Meio, zona rural de Cajazeiras, às margens da PB-400 e a pouco mais de 18 km da cidade, um dos engenhos mais antigos da Paraíba segue em plena atividade. Trabalhadores afirmam que ele tem cerca de 150 anos, embora a idade exata seja incerta. A TV Diário do Sertão acompanhou todo o processo em reportagem especial.
A produção começa na colheita da cana, mantida mesmo com a seca graças a um açude a cerca de 1 km. Burros e carroças levam a cana ao engenho e chegam a transportar de 80 a 90 cargas por dia. A moagem ocorre todo ano, entre agosto e outubro, e reúne famílias, amigos e vizinhos.
Segundo o mestre de engenho Francisco Pereira, o Pioca, o trabalho começa de madrugada: “Quando é 5h da manhã, já coloca fogo aqui”. A garapa é apurada até virar a batida, o alfenim e a rapadura. Cerca de 20 trabalhadores dividem as funções, muitos herdeiros do ofício dos pais.
O engenho pertenceu a Seu Tonho, passou aos filhos e netos e hoje é gerido por uma associação. “Estamos nessa batalha de não deixar cair nunca essa parte do engenho”, disse o batedor Francisco Gilvan. Para o agricultor José Ferreira, a atividade é um “resgate da nossa cultura”.