Meus caros e raros. Graças a Deus, para o bem ou para o mal, mais uma campanha eleitoral está chegando ao fim. A cacofonia dos carros de comando e as estridentes passeatas vai, na pior das hipóteses, pois quase certamente haverá um segundo turno, diminuir. Mas é a nossa forma de se fazer política: agressiva, invadindo os lares, senão pela presença física, por outros meios: sons, ligações dos candidatos e, com o advento da Inteligência Artificial, instrumentos que se dizem os próprios candidatos a falar pessoalmente com o eleitor, além de vários outros meios.
Na eleição passada, eu recebi um telefonema do deputado Eduardo Bolsonaro, me chamando de amigo e me pedindo para votar no pai dele. Quando respondi de onde ele me conhecia e se sabia nomear algum parente meu, a ligação foi interrompida.
Se ele, ou qualquer outro político de qualquer matiz ou credo, me chamasse de amigo — e tenho vários que o são, ou pelo menos conhecidos: Efraim Pai, Jr. Araújo, José Aldemir, Dra. Paula, entre outros —, certamente teria alongado a conversa, e teríamos assuntos para tratar. Mas eu não vou perder meu tempo, que já é meio escasso — pois o que eu vivi é muito maior do que o tempo que eu tenho para viver —, para ficar conversando com um robô.
Bem, para arrematar, e não ocupar espaço com minhas estultices, vou apresentar uma preocupação de um dos maiores analistas de pesquisas do país que, embora eu não me recorde seu nome no momento, pronunciou a coisa que eu reputo como a maior assertiva dessa eleição: o elefante da sala!
Disse mais ou menos assim: essa eleição para Presidente é uma anomalia entre todas as anteriores: a 15 dias do pleito, 45% dos eleitores estão entre os indecisos, e os brancos, 10%. Na outra eleição, os indecisos eram 10%.
Então, se isso está acontecendo, toda essa pesquisa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o tal empate técnico, acontece entre cerca de 60% do eleitorado, e se despreza essa enorme multidão que decidirá quem governará o país nos próximos quatro anos.
Ou seja, essa eleição pode terminar com um vencedor ainda no primeiro turno, caso esses indecisos votem em massa em qualquer um dos candidatos que “iriam, em tese, para o segundo turno”.