Intitulada “A cidade e as origens de grandes trajetórias no cinema brasileiro”, a oficina teve como convidado o professor e diretor do Fest Aruanda, Lúcio Vilar
Um encontro inédito reuniu duas gerações do cineclubismo de Cajazeiras, com referências que atravessam o período entre os anos 1980 e 2026. A atividade integrou a programação da X Mostra do Cinema Paraibano, promovida pelo Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), e foi realizada na última sexta-feira (18), no Centro Cultural Zé do Norte, vinculado à Secretaria de Cultura do município. Na abertura, foi exibido o filme “Meu Pai, Eliézer Rolim”, dirigido por Minna Miná, que sensibilizou o público pela bela homenagem ao dramaturgo, professor e cineasta cajazeirense, morto prematuramente na pandemia.
Intitulada “A cidade e as origens de grandes trajetórias no cinema brasileiro”, a oficina teve como convidado o professor e diretor do Fest Aruanda, Lúcio Vilar, que abordou aspectos da formação cultural de Cajazeiras e os chamados “antecedentes históricos” que contribuíram para projetar o município como um polo de produção e circulação artística no Sertão paraibano.
Durante a apresentação, Vilar destacou a tradição de vanguarda cultural da cidade em diferentes áreas, como artes cênicas, literatura, artes visuais e música. Entre os exemplos, citou a atuação teatral de Hildebrando Assis, Íracles Pires, Ubiratan de Assis, Antonio Carlos Vilar; de Ivan Bichara (literatura), Sávio Rolim, primeiro ator-mirim paraibano a ganhar notoriedade nacional com o filme Menino de Engenho, entre outros.
Segundo Vilar, parte importante desse processo está relacionada ao legado educacional de Padre Rolim, personagem central na história de Cajazeiras. Para ele, a tradição educacional contribuiu para a formação de um ambiente favorável ao desenvolvimento das manifestações culturais e artísticas. “Com a extraordinária atuação do padre Rolim, esse legado migrou para a cultura e as artes, ou seja, um fluxo natural, na medida em que onde há educação a cultura vem meio que por osmose.”
Na avaliação apresentada pelo professor, esse processo também se articulou com o desenvolvimento dos meios de comunicação no município. Ele lembrou o surgimento dos primeiros Serviços de Alto-Falantes (SAFs), ainda na década de 1940, e a fundação da primeira emissora de rádio de Cajazeiras, em 1964. “Para completar esse arco histórico, temos o campo da comunicação, consumando um processo que vai catapultar a cidade no âmbito estadual e regional através das transmissões radiofônicas que farão história como modelo de radiojornalismo”, destacou.
A apresentação foi seguida por um debate com o público, que acabou incorporando um elemento não previsto inicialmente: o encontro entre integrantes de diferentes gerações do cineclubismo cajazeirense.
Encontro geracional entre 1980 e 2026
Integrante da geração que participou do movimento cineclubista nos anos 1980, Lúcio Vilar foi membro do Cineclube Vladimir Carvalho, fundado em 1977. Também participou do movimento estudantil secundarista, da Pastoral da Juventude e do movimento de teatro amador desde o final da década de 1970.
O contato com integrantes do novo cineclubismo local deu ao encontro uma dimensão de resgate da memória cultural de Cajazeiras. Durante o debate, participantes compartilharam experiências e estabeleceram conexões entre diferentes momentos da história do cineclubismo na cidade.
“Foi uma bela surpresa esse encontro que não estava previsto e que acabou ganhando uma dimensão de resgate da memória através até mesmo de outras pessoas que também participaram do Cineclube Vladimir Carvalho, como seu ex-presidente, o professor Eugênio de Alencar, e seu filho, Lucas Jafher, à frente, hoje, do Cineclube Avoador”, relatou Vilar.
Ao final da atividade, foram apresentadas propostas para a continuidade desse diálogo entre as gerações. Entre as sugestões, surgiu a realização de um novo encontro em referência aos 50 anos da fundação do primeiro cineclube de Cajazeiras que recebeu o nome do documentarista paraibano Vladimir Carvalho.
A proposta busca reunir novamente antigos e novos integrantes do movimento cineclubista para discutir a trajetória, preservar a memória e refletir sobre os caminhos do cinema e da formação audiovisual no município.