Segundo o Cemaden, municípios em risco alto de seca no país passaram de 32 para 170 em um ano; a maioria está no Nordeste
A seca e a irregularidade das chuvas colocam a agricultura familiar da Paraíba em alerta. No Sertão, a falta de água já comprometeu o desenvolvimento das lavouras de feijão-caupi, feijão-cores e milho, culturas importantes para a alimentação e a renda das famílias rurais.
O balanço mais recente do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), referente a setembro de 2026, mostra que o Nordeste concentra a maior parte dos municípios brasileiros nos níveis mais elevados de risco de seca. Dos 170 municípios em risco alto, 131 estão na região. Outros 27 chegaram ao nível de risco muito alto, sendo 26 no Nordeste.
A situação se agravou em relação ao ano passado. Para as lavouras iniciadas em julho, o país tinha, em 2025, 32 municípios em risco alto de seca e nenhum em risco muito alto.
Segundo informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citadas no levantamento, a escassez hídrica e a distribuição irregular das chuvas prejudicaram a segunda safra no Sertão paraibano, deixando áreas cultivadas em condições regulares ou ruins.
O principal problema é a estiagem em fases críticas do desenvolvimento das plantas. A falta de umidade durante a floração e o enchimento dos grãos, por exemplo, pode reduzir significativamente o potencial de produção.
Na agricultura de sequeiro, a situação é ainda mais delicada. Sem irrigação, os produtores dependem diretamente da regularidade das chuvas, e, mesmo quando chove, o volume pode não ser suficiente para recuperar a umidade do solo e assegurar o ciclo das culturas.
A combinação de pouca chuva, altas temperaturas e baixa disponibilidade de água pode provocar impactos que vão além da queda na produtividade. Uma safra comprometida significa menos alimentos, redução da renda das famílias e maior necessidade de apoio aos agricultores. A estiagem também afeta a criação de animais, por reduzir a pastagem e a água disponível para o rebanho.
Para acompanhar a severidade do fenômeno, o Cemaden utiliza o Índice Integrado de Seca (IIS), que reúne dados sobre chuva, umidade do solo e condições da vegetação para identificar áreas com maior risco de impactos agrícolas. O monitoramento permite direcionar medidas de prevenção e assistência aos municípios mais vulneráveis.