Agência norte-americana aponta probabilidade de 69% para o fenômeno figurar entre os mais intensos registrados desde 1950
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) atualizou a previsão para o El Niño e passou a estimar em 95% a probabilidade de o fenômeno atingir uma intensidade muito forte entre o fim da primavera e o início do verão no Hemisfério Sul. A revisão decorre do aquecimento contínuo no Pacífico Equatorial, cuja anomalia de temperatura na região Niño 3.4 saltou de +1,2°C em julho para +1,8°C em agosto. Diante do quadro atual, a agência calcula uma chance de 69% de o evento figurar entre os maiores registrados desde 1950.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento igual ou superior a 0,5°C nas águas do Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e elevando a temperatura global. No Brasil, os efeitos históricos variam de acordo com a região: o Sul tende a registrar aumento nas chuvas e risco de enchentes, enquanto as regiões Norte e Nordeste enfrentam redução de precipitações e secas severas. No Centro-Oeste e Sudeste, o impacto manifesta-se em calor frequente e chuvas irregulares.
A força definitiva do episódio depende do acoplamento persistente entre o oceano e a atmosfera. Especialistas destacam que a ocorrência de episódios intensos sobre um planeta já aquecido potencializa a incidência de extremos climáticos, como ondas de calor prolongadas e impactos na agricultura.