O povo escolherá domingo o caminho da encruzilhada do Brasil: o primado da soberania nacional ou a submissão a uma potência estrangeira. O Nordeste fará sua parte, enfrentando com coragem mais uma adversidade. No passado, expulsou intrusos holandeses de nosso território, bem mais tarde, demonstrou fervor libertário em 1817 e em 1824. Nossa altivez tem raiz profunda.
No século XX, um arranjo entre oligarquias estaduais levou ao poder Epitácio Pessoa, que, diante da tragédia das secas, realizou grandes investimentos em infraestrutura visando combater seus efeitos, sem tocar no latifúndio e sua dominação.
A euforia nordestina durou pouco tempo.
Ao passar o governo ao oligarca mineiro, Artur Bernardes mandou paralisar aquelas obras sob o pretexto de desvio de recursos. Talvez real. Mas não muito diferente das violações praticadas nos currais eleitorais, à custa de trabucos, listas de votantes fabricadas, atas falsas e cambalachos políticos.
As obras contra as secas só foram retomadas depois do sucesso do movimento de 1930, do qual se fez chefe o gaúcho Getúlio Vargas e da presença no novo governo de José Américo de Almeida, um baluarte nordestino. Até então, o suporte das ações era o diagnóstico que reduzia o problema do Nordeste à falta d’água, aplicando-se a solução de acumular água em grandes e médios reservatórios.
1958 trouxe mais uma vez o trauma da seca.
O mineiro Juscelino Kubitschek teve a sensatez de ouvir o jovem paraibano Celso Furtado. Novo enfoque então foi dado aos problemas regionais, chocando às oligarquias temerosas de perderem o controle do poder. Argemiro de Figueiredo personificou a resistência do latifúndio à modernização proposta, logo iniciada com a criação da Sudene. Mas vieram as trevas do golpe de 1964.
Vinte anos depois surge uma estrela.
Não era bíblica nem seu brilho descia do céu. Chegou disfarçado numa criança, retirante da seca, que aprendeu no sofrimento, na raça para sobreviver e brigar. Tornou-se líder de nariz arrebitado até para os arreganhos do arrogante galego, pretenso dono do mundo. Galego? Sim, aquele a quem presta vassalagem um boneco programado, que ignora o Brasil profundo, nunca trabalhou e sequer fez compras num supermercado. Com trajetória sombria, pontilhada de ligações perigosas com as milícias que ocupam territórios urbanos e exploram seus viventes. Flávio promete libertá-los. E ainda inventa um novo conceito de soberania!
Puro embuste.
Flávio tenta apagar, de um lado, seus vínculos com o crime e, de outro, entregar nossas reservas de terras raras ao senhor seu amo, o galego. Mas não vai conseguir. Uma barreira forte, real, aguerrida se formou: o povo na rua, a verdade nas redes. (André Janones, com seu Exército de Lula, merece homenagens!). O Brasil inteiro vibra com o fervor da juventude! Ninguém destruirá as conquistas sociais alcançadas por milhões de residentes dos andares de baixo, que começa a ascender pela educação, com assistência médica do SUS e tudo o mais que o Brasil vive hoje.
Esse Brasil não está somente no Nordeste. Minas Gerais é parte dele. Pois bem, dessa realidade virá a consagração do retirante que virou estrela.
P S – O Nordeste e Minas representam mais de 38% do eleitorado. O Sul, metade do Nordeste.