Nossos encaminhamentos e o estado onde se encontram

Caros leitores, meus heróis. Nossa cidade, assim como o restante do estado, vive o período em que, de quatro em quatro anos, os homens que vivem esquecendo desses “Quentes Sertões do Norte”, que deram cantores famosos, como diz a letra do Quinteto Violado, se “alembram” de que existimos e saem de seus refrigerados gabinetes de Brasília para aparecer e pedir os votos que os vão reconduzir ao seu sossego no Planalto Central: é a hora da “onça beber água”. Então, todos nós, vítimas dessa amnésia quadrienal, deveríamos ter uma lista previamente estabelecida por uma comissão suprapartidária com as nossas reivindicações, tanto paroquiais quanto regionais.

Hugo Motta não quer o ramal ferroviário para João Pessoa? Podemos nos aliar com nossos irmãos sousenses e com os potiguares e reivindicar um ramal para Mossoró. A ferrovia viria de qualquer maneira. A Zona Franca do Semiárido não contempla Patos? Vamos nos juntar com nossos amigos do Ceará e do Rio Grande do Norte. Teremos mais chance de conseguir.

Mas nada disso vai funcionar quando somente um melador de papel delirante ficar escrevendo essas linhas contendo absurdos. É melhor deixar com nossos líderes de altíssimo conhecimento e apenas receber o óbolo que sempre os intermediários receberam, embolsar parte, receber uma pracinha ou um parquinho e, com o restante, fazer os “agrados” que nossa população recebe há décadas. Isso, pois, se eu considerar séculos, era na Igreja, com um livro e um candidato de cada lado, ou, como bem disse Frassales, “a bico de pena”, ou Tota Assis, “escrevendo e não garatujando”, em Epitácio, com um Cel. Sabino Rolim a vociferar.

Hoje, as técnicas são outras. Tem a urna eletrônica, mas também tem as redes, que detectam exatamente quem você é. Eu, por exemplo, já fui detectado. A extrema-direita fascistóide e entreguista nem me manda mensagem. Minha tia, meio esclerosada, só vê que o Brasil está à beira de um colapso e que, se os USA não mandarem a cavalaria para resgatar o Brasil da invasão comunista, vão fechar igrejas, ensinar às crianças a serem homossexuais, que Exu e os Orixás são seres demoníacos e que os judeus são os verdadeiros cristãos, e não a gente.

Eu, na minha humílima e possivelmente equivocada opinião (nunca fui proprietário da verdade), acho que nosso país é uma nação que, com toda a nossa história, toda a nossa tradição de povo tropical e mestiço — salve Gilberto Freyre! — não precisa de novos colonizadores. Temos nossos próprios interesses, que devem ser preservados, e os interesses de Cajazeiras estão dentro desse caldeirão (não precisamos ser subcolonizados).

Povos, nações, estados, regiões e cidades não têm amigos; têm interesses, e nós devemos cuidar dos nossos. Os dos outros, eles que cuidem.

Isso aí.

Sem defuntos para lamentar.

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