“Cajazeiras progride” é título de um artigo escrito pelo professor Antonio José de Sousa, (nascido no Sítio Cotó, Cajazeiras, em 1º de outubro de 1901 e falecido em 15 de julho de 1989, aos 88 anos de idade), no jornal “O Sport”, semanário que foi fundado em 11 de julho de 1926, em Cajazeiras. E foi na edição nº 120, de 25 de novembro de 1928, há noventa e oito anos, que Antonio de Sousa, que era o diretor do jornal, assim escreveu:
Povo progressista e trabalhador. Empreendimentos vários. Prédios surgem de momento por todos os recantos da cidade.
Empresas diversas emolduram Cajazeiras, tornando-a terra dos silvos, do trabalho fecundo. Fontes de vida, indústrias novas, invenções. A própria terra, ontem abandonada pela imperícia do sertanejo, hoje está sendo cultivada com carinho e amor. As fortunas aumentaram e as rendas públicas crescem.
O médico ganha na clínica e empresta dinheiro a juros. O bacharel, o farmacêutico e o dentista, trabalham com dedicação na profissão e se internam nos ângulos da agricultura, cultivando a terra, na ânsia louca de “O progresso conquistar o metal terrível, espelho mágico das ambições humanas. O jornalista escreve e faz o próprio jornal e ainda trabalha em avulsos e vende livros.
É uma atividade imensa. Os fracos caem cedo, os fortes vencem e conquistam, enriquecem.
É a cidade do trabalho, do dinheiro e do comércio intenso. Isto na esfera particular.
Na esfera pública, administrativa, ainda temos falhas lamentáveis. Não há higiene pública. O asseio da cidade não corresponde as exigências necessárias. Os próprios municipais nos envergonham, diante do visitante curioso.
A arrecadação de impostos é desorganizada. A prefeitura não tem expediente. O fiscal é agricultor, não preenche as formalidades do cargo. As construções não obedecem a um alinhamento estabelecido por lei. Não há escrita regular, competente na prefeitura.
O prefeito por espirito de ingenuidade ou por abuso de poder, realiza avultados compromissos para a prefeitura sem o apoio do Conselho Municipal.
A imprensa não é respeitada pelos poderes competentes.
O jornalista independente, altivo, perde a simpatia dos responsáveis pela administração pública, por proclamar a verdade. Quando sabemos que o atual Presidente lamentou a falta de um órgão independente na Capital.
É tempo de seguirmos novos processos na administração de nosso município. A nossa terra precisa subir no conceito do Estado. As nossas tradições impõem aos nossos dirigentes, mais amor pelas funções que ocupam. O ambiente é de harmonia.
Não acreditamos na paz de um povo sem o progresso da terra. Não é digno para um prefeito, o esforço particular, dominar a ação administrativa. O prefeito de Cajazeiras deve voltar às vistas para o progresso da terra que chefia e administra. A política não deve ser só o eixo de sua atividade.
Não temos ódio aos dirigentes municipais. A nossa única aspiração é pugnar pelo progresso da terra. Que muito queremos e da qual depende a nossa existência.
Vivemos do dinheiro do povo. Ao povo que paga imposto queremos dedicar a nossa vida de imprensa livre e soberana nas atitudes”.
Com este belo e corajoso artigo, escrito há 98 anos, queremos prestar uma justa homenagem ao jornalista, ao homem público, ao mestre e ao educador Antonio José de Sousa, quando o seu jornal o “Sport”, que circulou durante três anos, completou 100 anos de sua fundação, no dia 11 de julho, sem nunca se render ao poder do dinheiro público. Este artigo, com raras colocações, em função do tempo e do espaço, poderia servir de séria reflexão para os dias atuais.