Hoje, sinto o um imenso desejo de “dar voz aos silêncios que em muitas vezes a História nos impõem”, silêncios vividos durante os meus 80 anos de vida, de meus 55 anos de magistério 43 como concessionário da Rádio Alto Piranhas.
Mas porque esta cidade, já na década de 50, tinha uma concessão para instalar uma emissora de rádio?
A emissora nasceu do pioneirismo do profeta Zacarias, que muito antes de qualquer iniciativa, lá estava o bispo da diocese de Cajazeiras, sob a égide da Diocese de Cajazeiras, já em 4 de abril de 1959 com uma autorização em mãos, mas somente, por questões burocráticas e financeiras, não foi possível instalá-la naquele ano, senão já estaria completando 67 anos.
Ao lado de Dom Zacarias constituíram a sociedade limitada Monsenhor Abdon Pereira e Mons. Vicente Freitas. No contrato social celebrado estavam especificados os objetivos da empresa: educar cívica e patrioticamente, além da evangelizar a população sertaneja.
Mas, ao longo destes 60 anos “no ar”, foi intento e desejo dos que fazem e fizeram esta emissora ter um compromisso com a verdade, de ser porta voz dos que não têm direito a voz e a vez, numa sociedade onde o poder econômico fala mais alto, sem fugir, porém à ética jornalística, exercendo o sagrado princípio que toda pessoa tem o direito de liberdade de expressão e este direito compreende a liberdade de opinião e liberdade de receber ou transmitir informações ou idéias, sem sofrer qualquer ingerência, principalmente da autoridade pública e sem considerações de fronteira.
No exercício destas liberdades comportam deveres ou responsabilidades que sempre procuramos praticá-las com muita isenção e firmeza.
A história desta emissora se confunde com a história da cidade nos últimos 60 anos porque sempre esteve na trincheira ao lado do povo defendendo-o e denunciando arbitrariedades contra os mesmos e na defesa das grandes causas de Cajazeiras.
Durante o regime militar a emissora foi punida várias vezes e notificada outras tantas, porque não soube calar sua voz diante das baionetas ensarilhadas dos ditadores de plantão.
Em defesa de idéias consideradas corretas, juízes de direito, fecharam-na quase uma dezena de vezes, mesmo sabedores de que não estávamos ferindo a ordem instituída e quando a defesa foi levada a outra instância sempre se prolatava sentenças de inocência.
Quando no dia 13 de abril de 1983 a diocese passou o controle acionário da emissora para um grupo, genuinamente cajazeirense, até esta data procurou-se zelar pelo principio constitucional de que todo indivíduo tem direito a liberdade de opinião e expressão e que o rádio é um dos meios que os cidadãos podem se manifestar livremente em sua própria defesa e de seu semelhante.
A Rádio Alto Piranhas se constitui hoje um patrimônio, não dos seus sócios, mas da cidade de Cajazeiras.
Nesta data queremos agradecer aos nossos queridos ouvintes, colaboradores e anunciantes, razões de nossa existência, e reafirmar que esta emissora continuará sendo um grito de liberdade e uma brava voz em defesa dos sertões do Nordeste.