Como explicar o resultado das eleições na Paraíba?

Alguns fatores são de fácil percepção. A folgada vitória do governador Lucas Ribeiro em primeiro turno, com 64,30%, remete, de pronto, à aprovação do governo que ele representa. As pesquisas apontaram essa direção. A gestão estadual aparecia sempre com mais de 60% de aprovação e dois levantamentos da Quaest apuraram que cerca de 70% da população avaliavam que o ex-governador João Azevedo merecia eleger seu sucessor.

Só que tem um detalhe nessa história: houve uma transferência de poder planejada e construída com sucesso que resultou, consequentemente, em votos. Por mais de um ano, o então governador João Azevedo transferiu ações de governo e de poder ao vice-governador Lucas Ribeiro, o que o transformou, também, em protagonista da gestão. Com isso, Lucas assumiu o governo sem problemas e conseguiu se apresentar como gestor com experiência.

Mas é preciso reconhecer méritos pessoais do vencedor. Lucas conseguiu superar desconfiança e estabelecer vínculos sólidos de confiança com aliados políticos e, sobretudo, com deputados e prefeitos; demonstrar amplo conhecimento do governo, exteriorizar forte carisma e se jogar na campanha de rua, revelando gosto por se envolver com o povo sem deixar de dar atenção particular ao eleitor, além ter se superado no discurso, entrevistas e debates.

Talvez esse tenha sido um fator dos mais decisivos na campanha: Lucas foi subestimado pelos adversários, assim como o governador João Azevedo, que muitos acreditavam não ser do ramo da política. O primeiro debate, logo no início da campanha, desnorteou os adversários e faz a população entender que Lucas sabia das coisas e não era um fantoche. Os embates posteriores confirmaram a impressão. Subestimar Lucas e João parece ter sido um erro grave dos adversários.

As grandes vitórias eleitorais também costumam ser construídas em cima de erros dos adversários. E foi o que parece ter acontecido na Paraíba, especialmente em relação à campanha do candidato Cícero Lucena, cujo o primeiro e mais grave erro parece ter sido se afastar do grupo político liderado pelo então governador João Azevedo e do Progressista sem uma justificativa consistente e sem um plano de campanha razoavelmente atraente. A população não se convenceu de que Cícero tinha mais direito de ser candidato a governador do que o vice-governador Lucas Ribeiro, que viraria governador antes das eleições, ou não tomou conhecimento desse debate. A suposta vontade popular por ostentar intenções de voto na faixa dos 30 pontos faltando mais de um ano para a campanha também não sensibilizou. Cícero também não conseguiu apresentar um projeto desenvolvimento para Estado diferente ou substancialmente convincente do que aquilo que já vem sendo executado. Se apresentar como o mais experiente e o governador que vai melhorar o que está sendo feito também não penetrou na mente dos eleitores.

O senador Efraim Morais acertou quando, ainda em julho de 2025, deixou os quadros do União Brasil e se filiou ao PL para ser candidato. Havia indecisão entre sua candidatura e a do ex-deputado Pedro Cunha Lima. No PL só havia certezas e mais a perspectiva de usufruir do fiel eleitorado bolsonarista. Dentro do acerto, no entanto, Efraim pode ter cometido dois erros, que talvez tenham reduzido sua performance eleitoral.

Um deles é ter assumido o discurso bolsonarista mais puro, provavelmente para se aproximar da base. Com isso, discursos e planos de governo se estreitaram no campo da direita radical. Usando a tática do discurso pós-verdade, marca das campanhas do ex-presidente Jair em Bolsonaro, Efraim tratou a Paraíba como terra arrasada, onde nada funcionava, o que contrastava com avaliações de pesquisas. Isso pode ter reduzido a possibilidade de amplitude de suas propostas para além dos muros do bolsonarismo.

Outra limitação de Efraim foi o próprio desempenho do senador Flávio Bolsonaro na Paraíba. As primeiras pesquisas apontavam Flávio com 27% de intenções de voto na Paraíba e depois reduziram para 23/%. Nas urnas, Flávio chegou aos 33,07%. Os 24,18% de Efraim representa 63% da votação de Flávio. É a mesma proporção nos números apontados pelas pesquisas. Lógico que voto silencioso do bolsonarismo impulsionou a votação nas urnas, mas o desempenho de Efraim ficou atrelado ao de Flávio, não se expandiu além da bolha.

Esses são alguns dos cenários que explicariam resultado das urnas no Estado. Há outro capítulo – o da comunicação de campanha- que também explica muito sobre o resultado das eleições, mas esse é tema para nova análise.

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