O caos urbano

A convivência urbana dar-se a partir da somatória de fatores que, integrados, permitem uma relação de cordialidade e respeito. Fatores como o conjunto de regras, normas e regulamentos instituídos pelo poder público e que disciplinam a ação dos habitantes da cidade. Regras, norma e regulamentos que, discutidos e pensados de forma aberta e coletiva, anulam, ou pelo menos, buscam minimizar, o poder da opressão, da tirania, do mando e desmando de quem detém o poder.

Mas, a operacionalização dessa convivência depende, expressivamente, também, da participação dos habitantes da cidade. Todos, sem exceção determinada por posição social, cor de pele, gênero ou vinculação política a grupos e interesses, devem orientar suas atitudes por esses procedimentos que, coletivamente aprovados, são operacionalizados quando todos caminham na mesma direção: a de estabelecer vias de convivência que tragam como parâmetros basilares a salubridade, o respeito e, sobretudo, a qualidade de vida na coletividade.

Mas, tomando como referência o meu lugar de fala, ou seja, a cidade onde moro, o que me impressiona são as assíduas manifestações de desrespeito a essas regras e fatores de convivência urbana.

Aqui, com uma regularidade estonteante, encontramos construções e reformas de prédios e imóveis que utilizam calçadas e, sobretudo, vias públicas como depósito de material de construção e, mesmo, espaços para a preparação de concreto, cimento e, muitas vezes, estacionamento para veículos. A consequência é que o trânsito se torna caótico, pois motoristas são forçados a trafegar na contramão, ou atrasar seu percurso, desviando por outras vias ou se submetendo a congestionamentos.

Outra situação corriqueira na cidade é a utilização de calçadas como extensão do negócio. Assim, são comuns bares, trailers de lanches, lojas usarem as calçadas como espaço de complementação de suas atividades, espalhando cadeiras, mostruário de produtos, mesas. Ao pedestre, portanto, resta circular por esses espaços que o leva a uma aventura e, muitas vezes, traz como desdobramento riscos de vida. Por ter que circular pelo leito de ruas e avenidas está sujeito a um atropelamento. Mas, tudo parece normal.

Afinal, o argumento que, com recorrência, é utilizado para justificar essa balburdia é o de que todos carecem sobreviver e não podemos impedir ou entravar as opções de negócios.

E tudo continua como dantes no quartel de Abrantes!

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