Meus caros e raros leitores, de todas as fés e ideologias. O Brasil, no último domingo, fez história. Depois de uma derrota em que o ungido pelas forças da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, além da indicação do pai, que, na minha modesta opinião, não tinha uma biografia que o abonasse para governar o Brasil, era, sem dúvida, uma pessoa dotada de um carisma notável.
Com essa indicação, ele comandou a extrema-direita e, depois de uma campanha política em que sua única mensagem era a de que era necessário apear do poder o atual mandatário, vários fatos foram descobertos, antes e durante a campanha, que poderiam ser considerados indícios de ilícitos e que foram ocultados do público durante toda a campanha.
No primeiro turno, por muito pouco, esse candidato não logrou ganhar as eleições logo no primeiro turno. Então, numa reviravolta inédita, o povo, numa maioria consagradora, se juntou e fez o improvável: conseguiu “virar” a eleição por mais de quatro milhões de votos. Isso contra o apoio da imprensa, dos controladores das redes e de uma Justiça Eleitoral facciosa, que tornou o primeiro turno uma sucessão de notícias vazadas com o propósito de desqualificar o presidente candidato, enquanto ocultava os fatos que poderiam prejudicar o filho do presidente que o indicou para o cargo que ocupa.
Entre o primeiro e o segundo turno, a população entendeu que o candidato que as elites e os meios de comunicação indicavam não era o de que nosso país necessitava. Em grandes manifestações nas ruas e conseguindo contornar os algoritmos que os proprietários dessas redes queriam direcionar, a população terminou dando a força necessária para impedir que o neofascismo associado às milícias, que nada mais são do que outra forma de crime organizado, viesse a ocupar a cadeira de presidente da maior nação da América Latina.
Na realidade, essa virada ocorrida no Brasil é muito significativa em termos de geopolítica mundial. Ela pode demarcar uma onda de avanço da direita no cenário mundial. Se o Brasil caísse nas mãos da extrema-direita, toda a América Latina seria um enorme quintal dos Estados Unidos. Essa vitória de Lula vem a fazer um contraponto a essa teoria. Se essa vitória vem a representar uma onda reversa, o tempo dirá.
Agora, tudo é muito prematuro. Essa eleição tem apenas poucos dias de apurada.
Hoje, soube da fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, mas ele deixou mais de 45 milhões de seguidores que sufragaram seu nome nas urnas. E o governo que ganhou tem que ter a noção de que precisa governar para todos os brasileiros, inclusive e especialmente para todos esses que acham que a extrema-direita é a solução para nosso país.
Se o povo não for realmente ouvido, corremos o risco de cair num novo 2013. O Brasil é de todos nós, adversários incluídos…