Existe um velho ditado popular que diz: “Quem não deve, não teme”. Afinal, quem tem a consciência tranquila não deveria temer a transparência. É como diz outra expressão popular: “Mostre que sua vida é um livro aberto”.
Quem, ao contrário, carrega uma trajetória marcada por inúmeros escândalos e denúncias que levantam dúvidas sobre sua integridade procura, muitas vezes, esconder-se atrás de justificativas, recusando-se a prestar esclarecimentos sobre suas atitudes.
Essa deveria ser uma exigência de todos os atores políticos, sobretudo daqueles que disputam a Presidência da República. O eleitor tem o direito de conhecer a conduta de quem pretende governar o país.
Nesta eleição presidencial, Flávio Bolsonaro tem recorrido a acusações de desonestidade contra seu adversário, como se ele próprio estivesse acima de qualquer questionamento.
Até que Lula decidiu reagir. Diante das acusações, desafiou o adversário a demonstrar, na prática, a disposição de ambos para a transparência. E tomou a iniciativa de autorizar a quebra de seus sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, estendendo a iniciativa aos familiares mais próximos, segundo o anúncio feito, e submetendo a medida aos procedimentos legais cabíveis.
Passados mais de 4 dias o candidato acusador ainda não havia apresentado uma resposta equivalente ao desafio. O silêncio, nesse contexto, transforma-se em um problema político. Afinal, quem acusa precisa estar preparado para responder às mesmas exigências de transparência que impõe aos outros.
Foi um xeque-mate político. Como diz outro ditado popular, “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Flávio Bolsonaro se vê diante de uma situação delicada: se aceitar o desafio, terá de enfrentar o escrutínio público; se não aceitar, terá de explicar ao eleitor por que exige do adversário uma postura que não estaria disposto a adotar.
A poucos dias da votação, essa questão ganha ainda mais relevância. O Brasil precisa saber distinguir acusações eleitorais de fatos comprovados, propaganda de compromisso público e discurso de transparência de transparência efetiva. Não basta apontar o dedo para o adversário. É preciso ter disposição para submeter a própria conduta ao mesmo padrão de cobrança.
No fim das contas, a verdade não se estabelece aos gritos, nem se prova pela repetição de acusações. Ela exige fatos, documentos e responsabilidade.
Quem acusa precisa provar. Quem exige transparência precisa dar o exemplo. E quem pretende governar o Brasil deve compreender que a confiança do eleitor não se conquista com difamação, mas com atitudes.
Porque, na política, como na vida, continua valendo a velha máxima popular: quem não deve, não teme.
O Brasil todo está gritando: abre o sigilo, Flávio!