Uma possível centelha que parece que esteja sendo aproveitada

Meus caros e raros heróis. Nós temos, de quatro em quatro anos, uma oportunidade que só vai se repetir daqui a outros quatro anos: os homens (e mulheres) que detêm o poder de trazer as tão sonhadas e, muitas vezes, negadas, verbas dos vários orçamentos dos maiores níveis da nação: Estadual e Federal, batendo em nossas portas, para nos pedir que lhes conduzam (ou reconduzam) para seus gabinetes nas capitais do estado e do país.

Então vem, não digo que não já veio outras vezes, a deputada Paula Francinete, anunciando a vinda dos equipamentos de Hemodinâmica – importantíssimos para intervenções, às vezes de urgência, e algumas que podem levar o paciente a óbito antes de chegar aos locais aonde existe esse serviço – para serem instalados no HRC. Custo: mais de um milhão de reais. Merece todos os aplausos!

De outro lado, vem a tão sonhada “alça Norte”: Nossa Perimetral, a que eu já me referi diversas vezes, para desafogar o trânsito de cargas pesadas no nosso Centro: quase não acredito, mas a solicitação endereçada ao Presidente da Câmara, Hugo Motta, tem condições reais de serem atendidas e vai trazer para a nossa terra um benefício extraordinário, viabilizando diversos possíveis investimentos na área que mais cresce em nossa cidade. Méritos para o vereador Victor de Dorian, como também Breno de Dorian.

Esses exemplos indicam que, de alguma forma, o jeito de se pensar a nossa política, que eu sempre considerei fisiologista e de apadrinhamentos, como foi por muito tempo nossa política paroquial, possa estar mudando. E vou lembrar um caso que aconteceu comigo há duas décadas:

Eu voltava da Bahia, onde tinha ido embarcar caroço de algodão, e, depois de dormir em Jacobina, passei em Petrolina e resolvi almoçar na casa dos pais de um colega de Recife: Rodrigo Coelho, sobrinho de um ex-governador de Pernambuco e senador, e filho de um deputado estadual, Dr. Geraldo Coelho. Ele tinha o costume de receber seus eleitores todas as segundas-feiras de cada semana. E, me informando, cheguei ao seu escritório e sua esposa, Dona Lourdes Soares Coelho, estava recebendo esses possíveis eleitores.

Ela me mandou sentar e que eu anotasse os nomes e os pedidos. Eram: barro, tijolo, cimento, etc., e nenhum pedido de nomeação. Então eu perguntei: “Dona Lourdes, ninguém pede emprego por aqui?” Ela respondeu: “Não, Saulo, todos têm um lugar nesses perímetros irrigados. O que eles querem é construir suas casas…”

E eu fiquei pensando como as realidades podem ser diferentes: Em Cajazeiras, naquela época, entre dez pedidos para os políticos, onze eram de cargos, ou de empregos. Carlos Escorel, que foi Secretário-Chefe da Casa Civil do primeiro governo Burity, quando eu perguntei o porquê de o governo não ter levado obras para Cajazeiras, ele respondeu: “Quando seu prefeito (Vituriano) vinha aqui, ele nunca pediu nenhuma obra, só cargos para familiares e demissões ou remoções para adversários.” Perguntei a ele, e ele sempre me negou, mas o fato é que nenhuma obra do Estado veio para Cajazeiras nesse tempo.

É possível que, durante todo esse tempo, e com todo o reordenamento de nossa política paroquial, que, em menos de meia década, a duras penas, conseguiu se reinventar, passando de ser uma cidade antes baseada no setor agropecuário e hoje alicerçada no de serviços e educação, tenha mudado em sua mentalidade para alcançar outras metas, que não o mercadejar barato de votos a cada dois anos. O que espero sinceramente…

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