Entraves jurídicos travam Museu de Arqueologia de Cajazeiras e ampliam cobrança da população

Projeto anunciado com R$ 20 milhões em 2025 segue sem licitação; local na BR-230 tem pendência na Procuradoria-Geral do Estado (PGE) desde março

Anunciado com pompa pelo Governo da Paraíba em janeiro de 2025 como um investimento de R$ 20 milhões, o Museu de Arqueologia de Cajazeiras continua paralisado — e a cobrança da população e de lideranças classistas locais se intensifica. Enquanto cidades vizinhas como Sousa, Carrapateira e Aguiar avançam com seus equipamentos científicos e turísticos, o museu cajazeirense permanece no papel, vítima de um imbróglio jurídico que se arrasta há tempos.

A promessa do governo estadual era transformar o antigo prédio de um laticínio, localizado às margens da BR-230, na entrada leste da cidade, no maior centro de preservação arqueológica da região. O museu abrigaria as peças resgatadas durante as escavações da Transposição do Rio São Francisco. O projeto executivo, inclusive, já está pronto na Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan) e a verba está assegurada.

No entanto, a licitação não avança. O entrave está no terreno onde o museu seria construído. De acordo com informações apuradas, o imóvel é fruto de uma penhora de financiamento do Banco do Nordeste (BNB) junto ao Fundo de Apoio à Indústria (FAIN). Para que a obra saia do papel, o imbróglio precisa ser resolvido pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), onde o caso se encontra desde março, sem solução à vista.

O secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Cláudio Furtado, já havia afirmado que o projeto estava em fase de licitação e que a demora se deu por conta da rescisão contratual com a empresa que faria os projetos. Agora, a palavra de ordem entre os cajazeirenses é que a classe política local e a sociedade civil organizada se unam para cobrar celeridade do governo estadual e pressionar pela solução do entrave jurídico.

O empresário Rubismar Galvão, em entrevista a TV Diário do Sertão, foi incisivo: “Até esse momento, nas outras cidades tudo caminha normalmente, as obras estão sendo edificadas, mas Cajazeiras está zero, nada saiu do papel. Se no ano eleitoral isso está acontecendo, imagina depois da eleição.”

Ele criticou a falta de mobilização das forças políticas locais — todas alinhadas ao governo estadual. “Não vejo as forças políticas de Cajazeiras se pronunciarem a respeito. Se fossem oposição, tudo bem. Mas são aliados do governo e, no entanto, as coisas não estão acontecendo.”

“A obra tem que sair, ou então não diga que Cajazeiras foi contemplada. Se não pode ser lá, tem que ser em outro canto. O que a gente não pode é esperar o tempo da Justiça para desenrolar um negócio tão complexo”, completou.

A integração do museu com o Vale dos Dinossauros (Sousa), o Radiotelescópio BINGO (Aguiar) e a Cidade da Astronomia (Carrapateira) é apontada como estratégica para o turismo científico do Sertão. Enquanto o governo estadual não resolve o imbróglio e libera o terreno, o projeto do Museu de Arqueologia de Cajazeiras segue sendo apenas uma promessa.

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