A uma semana do pleito de 2026, trajetória do voto no país relembra a transição das cédulas de papel para a tecnologia.
A uma semana do primeiro turno das Eleições 2026, agendado para 4 de outubro, milhões de brasileiros se preparam para votar na urna eletrônica. A segurança e a rapidez do sistema atual contrastam com o histórico eleitoral do país, que durante décadas utilizou cédulas de papel, urnas de lona e apuração manual sujeita a fraudes e ingerências políticas.
A história do voto no Brasil passou por transformações profundas. No início do século 20, sob influência do coronelismo, as cédulas podiam ser impressas pelos próprios candidatos e os votos eram abertos. Em 1955, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) instituiu a cédula única para a eleição presidencial de Juscelino Kubitschek, padronizando o modelo que seria estendido aos demais cargos em 1962. As antigas urnas de madeira deram lugar às tradicionais urnas de lona com lacres de chumbo, modelo predominante a partir de 1974.
O formato em papel era vulnerável a adulterações conhecidas, como a prática da “urna grávida”, na qual cédulas preenchidas eram depositadas antes da votação. Havia ainda o voto de protesto, que permitia escrever nomes de figuras não candidatas nas cédulas, tornando célebres as expressivas votações do macaco Tião e da rinoceronte Cacareco. Além dos riscos de fraude, a contagem manual gerava longas disputas sobre a validade de rasuras.
A modernização teve início em 1996 e foi consolidada no ano 2000 com a total informatização do pleito nacional. A implementação da urna eletrônica eliminou a morosidade das apurações manuais, garantiu a inviolabilidade da votação e ampliou a acessibilidade para eleitores analfabetos e pessoas com deficiência visual.