Válvula dispersora libera água para São Gonçalo e RN; órgãos não informam volume e El Niño ameaça chuvas irregulares
Os moradores do entorno do açude Engenheiro Avidos, o Boqueirão de Piranhas, principal manancial que abastece Cajazeiras, estão preocupados com a abertura total da válvula dispersora das comportas de fundo. A água está sendo liberada com força total em direção ao açude de São Gonçalo, que abastece o perímetro irrigado e a cidade de Sousa. De lá, segue pelo Rio Piranhas para o Rio Grande do Norte, quando necessário.
O Engenheiro Avidos tem capacidade para armazenar 293 milhões de m³ de água e, mesmo recebendo as águas da transposição do São Francisco, a liberação é considerada exagerada por ribeirinhos. Eles temem que se repita o que ocorreu no início do ano, quando uma liberação excessiva para o açude Oiticica (RN) deixou a população praticamente sem água.
“As comportas do açude Lagoa do Arroz foram abertas para tender as necessidades dos ribeirinhos”, informou o presidente do Comitê de Bacias, Jocertan Guedes, sobre a liberação de 800 litros por segundo por 40 dias naquele reservatório. No entanto, sobre o Engenheiro Avidos, nem o Ministério da Integração, nem o DNOCS, nem a ANA informaram o volume liberado. Apenas afirmam que a operação segue o plano de alocação de águas, que ouviu todos os usuários.
O fenômeno El Niño, que deve se intensificar nos próximos meses com aumento da temperatura e chuvas irregulares, agrava a preocupação da população. De acordo com reportagem do jornal Gazeta do Alto Piranhas, moradores cobram informações claras e medidas para evitar o desabastecimento.