Transformações urbanas e expansão da cidade provocam esvaziamento noturno do Centro de Cajazeiras

Mudanças demográficas e surgimento de novos polos comerciais deixam vias tradicionais desertas após o expediente

O Centro de Cajazeiras, histórico polo comercial e cultural da cidade, enfrenta um processo gradual de esvaziamento e perda de movimento, sobretudo no período noturno e aos finais de semana. Diferente de décadas passadas, quando vias como as ruas Padre José Tomaz, Padre Manoel Mariano, Coronel Juvêncio Carneiro e a Avenida Presidente João Pessoa concentravam a vida social e o lazer com cinemas, bares e passeios públicos, o trecho atual é marcado pelo fluxo intenso de compras durante o dia e pelo abandono ao anoitecer.

Especialistas apontam que a expansão urbana desordenada, iniciada a partir do declínio do algodão e do êxodo rural, impulsionou a criação de novos bairros e a descentralização de serviços e órgãos públicos. Empreendimentos comerciais e imobiliários passaram a migrar prioritariamente para a Zona Norte e a Zona Leste do município, esvaziando a função residencial do perímetro central e deixando poucas ilhas habitadas nas proximidades do Cajazeiras Tênis Clube e da Rua Dr. Coelho.

A ausência de circulação de pessoas no período noturno amplia a percepção de insegurança e desfortalecimento do comércio local. Embora a gestão municipal mantenha serviços de iluminação e zeladoria nas praças, a escassez de novos investimentos e de projetos de revitalização a curto prazo consolida a mudança nos hábitos de convivência na maior cidade do Alto Sertão paraibano.

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