Neste último dia 20 de outubro foram comemorados, em Cerimônia Solene, os 50 anos do Reconhecimento do Curso de Filosofia da Faculdade Católica (antiga FAFIC), iniciada com uma missa, no Santuário Nossa Senhora Auxiliadora, presidida por Dom Francisco de Assis Gabriel dos Santos, com participação de um número expressivo dos sacerdotes da Diocese, da comunidade acadêmica, de convidados e autoridades, para em seguida ser realizada uma Cerimônia Solene, no auditório Bento XVI. Usaram da palavra: Dom Francisco, Padre Josinaldo Lima (Diretor da Faculdade), Padre Severino Elias (Coordenador do Curso) e os ex-professores Padre Antonio Luiz de Nascimento e José Antonio de Albuquerque. Na ocasião proferi o seguinte discurso, alusivo a data:
Neste espaço, aonde se ergue a mais histórica colina cultural de Cajazeiras, há 68 anos, cheguei aqui, quase menino, passei seis anos, todos enlaçados pelos saberes dos meus mestres, envolvidos pela ternura dos poetas e abençoados por Nossa Senhora Auxiliadora. Retornei em 1971, não mais como aluno, mas como professor e sob este teto passei oito anos, até quando em 1979, no dia primeiro de agosto, todos os alunos dos cursos da FAFIC e seus professores foram transferidos para a Universidade Federal da Paraíba, menos o de Filosofia, que ainda ficou sobre a responsabilidade da Diocese de Cajazeiras.
Hoje neste espaço, retomo um turbilhão de belas lembranças, que me levam a espairecer nos jardins encantados da emoção. Os pés de fícus, o campinho de futebol, o espiribol, a quadra de vôlei, a cantina de Seu Antonio e o badalar do sino que marcava o inicio e fim das aulas.
Padre Severino, o seu chamamento sobremodo me desvanece e inclino-me, agradecido, diante do seu honroso convite, para falar sobre os 50 anos do reconhecimento do Curso de Filosofia, deste curso que é luz, que é dia, e é pão e é vida e que canta a eternidade de dois responsáveis pela sua existência: o profeta Zacarias Rolim de Moura e o extraordinário educador Padre Luiz Gualberto de Andrade.
Guardo na memória, também como participe e testemunha, da luta empreendida para a criação da FAFIC. E vinha sempre uma indagação: porque um Curso de Filosofia em Cajazeiras? Este curso era a “menina dos olhos” de Zacarias. Era o sentimento de querer formar professores e os seminaristas da Diocese e se constituía em mais um dos vôos proféticos de Zacarias e fazia parte do templo de sua alma. Zacarias escreveu uma carta ao seminarista Gervásio Fernandes, que estudava em Roma, sobre a criação do curso de filosofia, esta já era uma idéia que estava na cabeça e no coração do profeta Zacarias.
A convite de Padre Gualberto participei da montagem do processo de reconhecimento do Curso de Filosofia, ao lado de Irmã Irene, tendo como datilógrafo o funcionário Francisco Valdeberto de Lira e construímos uma montanha de papéis que foram enviados para Brasília, para em seguida recebermos a visita dos fiscais do Ministério da Educação, conhecidos como figuras extremamente rigorosas e havia entre nós um certo temor de algum parecer negativo. Como fiquei responsável pelos cálculos financeiros de todos os cursos, fui convidado a dar uma explicação do porque o curso de filosofia, do ponto de vista financeiro, os números mostravam que dava prejuízo e se tornava inviável o seu funcionamento, mas depois de mais de meia hora explicando item por item ficaram convencidos das razões da existência do curso de filosofia. Foram três dias de verdadeiro martírio. E o resultado? Hoje estamos a comemorar meio século do seu reconhecimento.
Permitam-me não enumerar quantos participaram destes 50 anos de glória da FAFIC, mas queremos agradecer a todos desde a mínima contribuição até a mais elevada. Estamos a comemorar uma glória, uma glória que não passa no mundo, o que passa no mundo é o poder, o que passa é a riqueza. A glória é a estrela dos vivos, é o sol dos mortos.
Aos meus olhos de cajazeirense, ao meu bairrismo, ao que mora no mais profundo interior da minha alma, gostaria de externar o meu orgulho e penetrar na alma de cada um o sentimento de gratidão.
Neste momento, o que ofertar a FAFIC? Uma bandeja de ouro, com toalhas de rendas? Mas o que por nesta bandeja? Quem a receberia? Rindo e chorando, entre um afago e um soluço, entre as alegrias e as dores, aqui estamos todos os continuadores desta obra educacional, os ilustres e os simples, os pobres e remediados, nestes secos caminhos do sertão, banhados de sol.
Que a FAFIC continue sendo um punhado de palmas verdes lançado nas áridas terras do nordeste e uma lamparina acesa a iluminar o meio-dia das terras paraibanas.
Não é sem motivo que hoje estamos aqui para aplaudir o Curso de Filosofia como instrumento maior da promoção do homem, numa dimensão de solidariedade e amor, preparando o cidadão para a vida e o tornando capaz de conquistar frutos e absorver inovações e retransmiti-los para a sociedade.
Como diz Aristóteles: “A esperança é o sonho do homem acordado, ou ainda como diz o maior tribuno da Paraíba: Alcides Carneiro: “Recordar não é viver, recordar é viver de lembranças, viver de lembranças é morrer de saudades”.
Vamos continuar acordados para que nossas esperanças de dias cheios de glória para a FAFIC continuem sendo a semente que cai em terras férteis e que nossas lembranças permaneçam em nossos corações.