Observações sobre pesquisas

A primeira rodada de pesquisas de intenção de voto na Paraíba depois das convenções e dos pedidos de registros de chapa açulou a campanha, com polêmicas provocadas especialmente pelos números apresentados pelo Instituto Quaest, contratado pela rede Paraíba de Comunicação.

As reações de quem fica em desvantagens nas pesquisas são de praxe: contestação, desqualificação dos dados ou dos institutos e tentativas de desmentidos de todas as formas. Agora, não tem sido diferente.

Dois ou três itens têm provocado as discussões mais intensas.

Por que três pesquisas praticamente divulgadas no mesmo dia apresentam resultados tão diferentes? Questionam alguns candidatos e até jornalistas.

As pesquisas dificilmente captam realidades iguais, quase sempre haverá registros de diferenças, notadamente quando, embora próximos, os períodos de coleta de campo são diferentes.

Parecem ser os casos das pesquisas divulgadas. A Real Tine Big Data aplicou os questionários entre os dias 18 e 22; a Seta, entre 19 e 21, e a Quaest aplicou sua pesquisa entre os dias 22 e 24/08.

É possível haver mudanças significativas em diferenças tão curtas de tempo? Campanhas eleitorais costumam ser dinâmicas, muitas vezes as mudanças ocorrem em ondas que nem são perceptíveis. Outras vezes, as mudanças já vêm se processando há tempo e ocorre de ganhar arremate repentino ou meio repentino. Pode ter sido o caso da Paraíba. O fechamento das chapas e o início da propaganda de rua podem ter gerado as causas de algumas mudanças.

O segundo ponto em questão é o da suposta intensidade das mudanças. Considera-se que Lucas Ribeiro, com 38% na Quaest, teria subido muito; que Cícero Lucena, com 19%, teria caído demais.

Talvez seja possível outra leitura do processo. Considerando as margens de erro, os números nem são tão distantes assim. Lucas Ribeiro aparece com 35% na Real Time Big Data , 34,1% na Seta e 38% na Quaest. CÍcero aparece com 25%, 24,1% e 19%, respectivamente. Efraim estaria com 21%, 21,5% e 18% em cada um dos institutos.

Observe-se que, aplicadas margens de erro de 3 ou 2,5 pontos percentuais, todas essas variações se tornam possíveis.

Mas a questão principal não é essa. O centro é que, desde o início do ano, essas movimentações nos percentuais de intenção de voto estão ocorrendo. Todos as meses houve crescimento de Lucas, com acentuação maior depois que ele assumiu o governo; todos os meses, Cícero experimentou pequenas reduções nas intenções de voto e todos os meses houve gradual crescimento de Efraim. Então, pode ser que haja um equívoco geral, mas o movimento não parece anormal nem os institutos parecem mal intencionados.

A questão aqui não é defender pesquisas nem candidatos. O propósito é mostrar que campanhas e partidários não costumam analisar números de levantamentos de forma racional, além de ressaltar que nem sempre os questionamentos feitos sobre pesquisas são justos.

Haverá sempre, entre os institutos, assim como ocorre entre empresas de comunicação ou jornalistas ou qualquer outra profissão, quem fuja da ética e cometa negócios sujos. Nem por isso, por exemplo, deve-se deixar de defender a imprensa enquanto instituição que defende a liberdade e a democracia.

Tenha-se ainda que não é uma rodada de pesquisas que define o rumo de uma campanha eleitoral. Os candidatos estão no direito de se defender, mas as campanhas eleitorais não podem querer atirar na lama tudo aquilo ou aqueles que não o favorecem.

O melhor talvez seja compreender que campanhas eleitorais foram feitas para consolidar ou mudar conjunturas ou situações políticas.

Raimundo Borges – Registro aqui a inestimável perda que a morte do poeta repentista Raimundo Borges vai provocar na cultura popular e no folclore da região. Raimundo era resistência pura com seu festival de cantoria, seu programa de rádio e presença nas esquinas de Cajazeiras.

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