Crianças brincando de “polícia e ladrão”, em Cajazeiras

Quanto aos locais para nos esconder, eram as calçadas, atrás dos postes ou das árvores, nas pracinhas, nas esquinas das ruas, no pavilhão dos grupos escolares, na hora do recreio, dentro das nossas casas e em outros locais onde pudéssemos nos esconder uns dos outros. Com um gesto simples da mão fechada, com os dedos polegar e indicador em forma de um revólver, nós brincávamos de “polícia e ladrão”.

Naquela época, os revólveres eram feitos de chumbo, vendidos em lojas de brinquedos ou até mesmo nas tarimbas (bancas) do Mercado Central ou nas bancas das feiras. Nós, que não tínhamos dinheiro para comprar, fazíamos os revólveres com tábuas encontradas no lixo da serraria de seu Zé Rolim, localizada em frente ao antigo prédio das freiras. Com um lápis grafite e uma faca caseira, moldávamos o revólver e, assim, estava feito o revólver de madeira.

Quando íamos assistir a filmes de faroeste no Cine Cruzeiro ou no Cine Éden, ao sairmos das salas de cinema, comentando o filme, imitávamos o andar dos bandidos, com os braços pouco abertos e as mãos em forma de revólver, como se fôssemos sacar a arma a qualquer momento.

Lembro-me de que, naquela época, fábricas de guloseimas faziam pirulitos em forma de chupetas e revólveres. As meninas chupavam as chupetas e os meninos, ao chupar os revólveres, colocavam o cano apontando para dentro da boca, como se fossem praticar o suicídio. Era muito divertido, e todos caíam nas gaitadas (gargalhadas).

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