O Nordeste e a eleição de outubro (2)

O Brasil tem 158 milhões de eleitores, 42% na região Sudeste, 28% no Nordeste, 14% no Sul, e no Norte e Centro-Oeste 8% em cada uma. Bahia, Pernambuco e Ceará são as unidades de maior peso no Nordeste. Os baianos somam onze milhões de eleitores, pouco menos do que os do Rio. Nas eleições de 2022, a votação do Norte foi parecida com a do Nordeste. Vale dizer, cerca de 40% do Brasil votante residem na faixa geográfica da Bahia para cima.

Como vota o Nordeste?

Desde 2002, na sua primeira vitória, Lula teve maioria nos estados nordestinos, à exceção de Alagoas, onde só chegou a 44% dos votos. Apenas o Ceará lhe deu mais de 70%! Bahia e Piauí acima de 60 por cento.

Em 2006, a reeleição foi um arraso no Nordeste. Em seis dos nove estados sua votação ultrapassou 70%, chegando a mais de 80% no Maranhão e Ceará! O Nordeste expressou sua gratidão!

Na apertada vitória de 2022, o Nordeste foi esteio de Lula, embora em proporção bem menor do que em 2006. Apenas Piauí, Bahia e Maranhão lhe deram mais de 70% dos votos. Alagoas destoou com votação abaixo de 60 por cento!

Vamos a um pouco de história.

No tempo da ditadura só existiam dois partidos: Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O Nordeste era o celeiro de votos do governo militar. Os antigos currais eleitorais adaptaram-se às regras da Constituição de 1946, na prática do clientelismo político. Hoje os currais têm feição distinta. Neste século XXI, o território geográfico, apanágio dos velhos currais, virou reduto das vitórias de Lula e até do PT.

Então mudou a natureza do voto?

Na verdade, pouco mudou. A lógica do voto permanece quase a mesma, com profunda diferente. Esclareço o paradoxo. Desde a Primeira República (1890-1930), a base do mando dos coronéis vinha da proteção dada, do favor pessoal, familiar, de ações e gestos inerentes ao clientelismo político. Os potentados detinham grandes propriedades de terras, gados e gente, e milícias armadas particulares. Ao longo do processo de modernização, com a chegada do trem e do automóvel o controle foi passando para outros personagens, como profissionais liberais, médicos, advogados. A lógica do voto permanece.             

E agora é diferente?

Aquela lógica pouco mudou. Nos governos Lula, desde sua primeira vitória em 2002, foi alterada a maneira de favorecer a população. Os benefícios agora chegam em forma de obras e serviços de alcance coletivo. Deixaram de ser pessoal. Assumiu feição comunitária. E Lula foi além. Enterrou a eterna promessa de realizar a transposição de água do Rio São Francisco para ajudar o semiárido a conviver com a seca. Assim, Lula cuida de todos, pobres e ricos. A dimensão fantástica do Bolsa Família, de alcance nacional, chega junto de quem passa fome. Os programas sociais de transferência de renda, sobretudo aqueles voltados para os estudantes, alteram o futuro da juventude e favorecem a ativação das atividades econômicas em benefício de todos. O Minha Casa Minha Vida é outro exemplo notável do que estou realçando. Acha pouco? Lula defende as riquezas e conquistas nacionais.  Basta citar a dinamização da Petrobras!

Somado ao carisma pessoal do retirante da seca nordestina que, feito sindicalista, aprendeu a negociar com os poderosos de São Paulo. Hoje é querido do povo e respeitado no mundo. Daí Lula viver cercado de governadores, senadores, deputados. Alguns, falsos amigos, que o detestam. Oportunistas, na primeira curva o abandonam.

Cabe ao eleitor distinguir os Judas entre eles. E votar para governador, senador, deputado federal e deputado estadual no time de Lula.                  

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