O quadro atual de nossa política e uma reflexão do passado

Meus caros e pacientes leitores. Como quase nada de muito relevante aconteceu em nossa Cajazeiras nesta última semana, vou tentar elaborar um quadro, ou uma espécie de fotografia instantânea, da nossa situação em termos da política na eleição que se aproxima.

Em primeiro lugar, temos o rompimento, na minha modestíssima opinião, bastante tardio, da prefeita Corrinha Delfino com seu antecessor, Zé Aldemir, que, retirando seu nome do bolso do colete (que eu nunca vi nele usando tal peça de vestuário), teve a iniciativa de se aproximar de um adversário que já foi seu aliado; no caso, o grupo do ex-prefeito Carlos Antônio e Denise, aproveitando a má assessoria jurídica do deputado e pré-candidato Chico Mendes, que acreditou, como meu tio Hygino Pires acreditou em 1972, que seria vitorioso em uma situação jurídica claramente desfavorável.

Tanto no caso de 1972 como no de 2024, Gineto acreditou em Edme e Ernani Satyro; e Chico Mendes, em Jeová Campos, que foi meu professor em Sousa, e eu sempre o avisei de que suas opiniões não eram exatamente as dos juízes. Em ambos os casos, eles insistiram em levar suas candidaturas até a decisão do Tribunal Regional Eleitoral. No caso de 1972, a ARENA teve 45 dias para fazer a campanha de Antônio Quirino, enquanto o médico Pablo Leitão foi “jogado às feras”, com apenas 14 dias de campanha e contra a Prefeitura. Perdeu por mais de 2.000 votos.

Então, a prefeita eleita ficou como que “devendo” sua eleição ao antecessor, que indicou vários cargos para a nova gestão. Isso ficou como uma espécie de terceiro mandato de Aldemir. Nesta eleição, a atual gestora decidiu que era hora de terminar com esse casamento, o que prejudicou, em termos de Cajazeiras, as pretensões eleitorais do antigo mandatário, que desistiu de concorrer à Câmara Federal.

Mas, mesmo sem o apoio da nossa Prefeitura, Zé Aldemir tem sobradas condições de se eleger deputado estadual, assim como Júnior Araújo e Chico Mendes. E fica aberta a porta para a sucessão municipal, que tem, além da atual prefeita como candidata à reeleição, o candidato derrotado Pablo Leitão, o deputado impugnado Chico Mendes e até uma possível candidatura de Zé Aldemir. Sem depender de qualquer resultado na presente eleição, as cartas da sucessão municipal estão completamente embaralhadas.

No restante, mais do mesmo: o atual governador e Efraim Filho vão travar uma disputa. Não creio que Cícero tenha densidade eleitoral em nossa cidade para o Senado. Veneziano e o ex-governador disputam, com o pai do presidente da Câmara correndo por fora; tudo dependendo do famoso “último favor”, de nossa região, conhecidamente fisiológica. Para deputado federal, temos Aguinaldo Ribeiro, Wilson Santiago e até mesmo o ex-prefeito de Sousa, Fábio Tyrone, além de Ricardo Coutinho correndo por fora, tudo dependendo do quanto esses conseguirem chegar ao eleitorado fisiológico. Aí entram os vereadores e os prefeitos daqui, bem como de todas as cidades do interior do nosso Nordeste. Para presidente, Lula deve repetir as votações que sempre o consagraram desde 1989.

Segundo meu pouco conhecimento, seria esse o quadro atual.

Fico.

P.S.Dedico estas linhas ao amigo de longa data, o engenheiro Horley Fernandes, que recentemente nos deixou. Ficam as boas lembranças e meus sinceros sentimentos à família enlutada.

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Posts