O que deu errado na campanha de Lula?

Meus queridos leitores. Encerradas as apurações do primeiro turno das eleições de 2026, quase tudo o que nós esperávamos aconteceu, apenas no nosso estado com alguns “ajustamentos” que eram previsíveis. Para governador, Lucas venceu no primeiro turno, e Efraim Filho mais Cícero Lucena não chegaram a forçar um segundo turno. Também tivemos a eleição de João Azevêdo e a reeleição de Veneziano.

Em termos paroquiais, a nota lamentável foi a não eleição do nosso ex-prefeito José Aldemir, que, por conta de sua desavença com a atual prefeita, não conseguiu reaver seus redutos eleitorais fora de Cajazeiras, que o haviam consagrado em eleições passadas. Mas, de qualquer forma, nossa cidade estará muito bem representada na ALPB, além de Júnior Araújo e Nil Mendes, contando ainda com um filho da terra sendo o deputado estadual mais votado no estado, Nilvan Ferreira. Os federais que têm alguma atuação por aqui também foram eleitos, no caso, Aguinaldo Ribeiro e Wilson Santiago.

Mas o que eu acho mais importante, e o caso que mais chama a atenção de todo o Brasil, é a enorme votação de Flávio Bolsonaro, que derrotou o presidente em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva, que muitos amigos meus, e inclusive o próprio candidato, achavam que venceriam essa eleição no primeiro turno.

Vem-me à lembrança um fato do meu passado, quando eu tinha um cargo comissionado no governo Denise Albuquerque. Perguntei ao meu secretário de Administração qual era a diretriz para nós, comissionados, já sabendo da resposta: fazer o corpo a corpo, ir de casa em casa pedir votos. Mas não foi essa a resposta que eu recebi. Esta foi: “Vá para os eventos”.

Eu estranhei muito, pois sempre soube da capacidade de Zé Aldemir de ir de casa em casa, ter contato pessoal com o povo, pois o acompanho desde os tempos da campanha vitoriosa de Antônio Mariz para o Palácio da Redenção e em várias outras campanhas. O que nunca lhe faltou foi uma disposição extraordinária de se encontrar com os eleitores, fossem seus ou não. Enquanto isso, Denise ficava acreditando nos informes dos coordenadores da campanha, que não iriam perder seus empregos se os adversários fossem vencedores. Eu comentei com Andréia Braga, e ela me alertou: “Estão todos equivocados sobre essa eleição.” E a derrota veio…

Do mesmo modo, na minha opinião, procedeu Lula, assim como muitos de seus assessores e correligionários no primeiro turno dessa eleição. Os ganhos que o povo auferiu nas outras administrações de Lula, suas alianças e as do PT já fazem parte da realidade diária do grosso da população. Os que viveram os tempos do período militar já são idosos, e os jovens de 25 anos não sabem sequer o que foi a administração de Fernando Henrique, que mandava comissões para fechar cursos superiores.

Só um exemplo: no tempo em que cursei Direito em Sousa, foram nada menos que três comissões, e pelo menos uma delas tinha o objetivo de extinguir o nosso curso e nos transferir para Campina Grande. Eu, que nem sousense sou, tive que me levantar e enfrentar a situação, defendendo tanto o curso quanto a qualidade (duvidosa) de seu corpo docente. Hoje, Sousa dispõe, além desse curso, de muitos outros e de um campus próprio, bastante dinâmico e afastado do centro da cidade, graças aos incentivos obtidos para o ensino superior.

Mas tudo isso já é considerado, pelos jovens e pelos nem tanto assim, “bola na caçapa”. O novo governo deveria ter tido outra forma de se conectar com o povo, tanto com os menos animados para ir votar, haja vista a grande abstenção entre as classes “D” e “E”, que escolheram pagar a marmita em vez de pagar a passagem de ônibus para sua seção eleitoral, quanto com a geração “Tic-Toc”, para a qual o governo, ao contrário da oposição, nunca desenvolveu uma linguagem que fosse suficientemente inteligível para essa enorme faixa do eleitorado.

Eu mesmo ficava recebendo mensagens diárias dos chamados “progressistas”, querendo “cristianizar um cristão”. Pura perda de tempo. Custou um turno, pode custar uma eleição.

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