É lamentável, e profundamente desrespeitoso com a dor humana, transformar uma tragédia em instrumento de campanha eleitoral.
Um acidente ocorrido durante as obras da Ponte do Futuro, que resultou na morte de um operário, deveria provocar, antes de qualquer coisa, solidariedade à família enlutada e aos companheiros de trabalho.
O mínimo que se espera de quem exerce ou pretende exercer um cargo público é respeito diante da morte e responsabilidade diante dos fatos.
Mas não foi isso que se viu. Antes mesmo da conclusão das investigações, um candidato ao Governo do Estado e outro que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa correram para gravar vídeos tentando atribuir responsabilidade política ao adversário. Em vez de esperar a apuração das circunstâncias do acidente, preferiram transformar a fatalidade em munição eleitoral.
É preciso perguntar: que culpa pode ser atribuída a um governador por um acidente de trabalho antes que as autoridades responsáveis concluam a investigação? Se houve falha, negligência ou qualquer responsabilidade, que isso seja devidamente apurado e os responsáveis sejam identificados. Mas transformar uma morte em acusação política não contribui para esclarecer os fatos.
O que se viu, diante da emergência, foi a pronta atuação das forças de segurança e dos serviços envolvidos no socorro às vítimas e no atendimento à família do trabalhador que perdeu a vida.
A população sabe distinguir solidariedade de oportunismo. Sabe perceber quando alguém se coloca ao lado de uma família enlutada e quando alguém corre para transformar a dor alheia em palanque eleitoral.
Tragédia não é palanque. Morte não é argumento de campanha. Dor de família não pode ser transformada em peça de propaganda eleitoral.
Quem ocupa ou pretende ocupar um cargo público precisa compreender que há momentos em que a política deve silenciar para que prevaleçam o respeito, a solidariedade e a responsabilidade.
Diante da morte de um trabalhador, o primeiro gesto deveria ser baixar a voz, prestar solidariedade e aguardar a verdade dos fatos.
Explorar uma tragédia antes mesmo de saber o que aconteceu não é coragem política. É precipitação, e, sobretudo, falta de respeito com quem perdeu a vida e com quem ficou para chorar sua ausência.