Passada a ressaca do primeiro turno das eleições, com a euforia dos vitoriosos e o choro e muxoxo dos derrotados, o cenário impõe reflexões e desafios, sobretudo, quando se tem como parâmetro e referência a eleição presidencial.
Isso, porque se configura dois projetos bastante antagônicos e que representam compreensões distintas e díspares do como administrar e gerenciar o poder e a coisa pública.
Em uma trincheira se encastelam aqueles que defendem as posições restritas do Estado apenas e somente como lastro para a expansão do mercado e do capital que, protegido e estimulado, impõe suas regras e procederes com a livre e escancarada exploração da mão de obra, o uso indiscriminado de recursos e reservas naturais, sem quaisquer cuidados com a natureza, o meio ambiente, as comunidades humanas.
Um estado que, alimentado por esta energia, entende saúde, educação, segurança e outros direitos e condições essenciais à vida humana e do próprio planeta como mercadorias expostas em prateleiras e disponíveis aos que podem e tem condições de pagar por elas.
A mesma lógica que orienta nossa conduta quando vamos a feira comprar o feijão e arroz do nosso dia a dia. E nesta mesma feira nos deparamos com os pedintes que, órfãos de políticas publicas de inclusão e de superação da pobreza e das desigualdades, estendem as mãos no apelo à caridade humana.
Este projeto em disputa nas eleições traz ainda como elemento basilar de suas propostas de governo e de Estado a defesa das riquezas minerais e naturais que o país ostenta, como a explícita promessa de transferi-las aos que comunga, no plano global, das mesmas compreensões, como moeda de barganha por apoio esdrúxulos e compromissos escusos e sorrateiros de entreguismo e subserviência.
Um projeto visceralmente oposto ao que defende essas riquezas como elemento fundamental de composição da soberania nacional. Riquezas que, exploradas de forma racional e sustentável, irão incrementar as ações e projetos de promoção de políticas de educação, de saúde, de superação da pobreza, de construção de mecanismos de inclusão social e política de parcelas populacionais historicamente excluídas e anuladas do cenário do país.
Portanto, refletir sobre a ressaca eleitoral e o que dela podemos extrair como elemento fundante e determinante no nosso ato de votar no segundo turno das eleições presidenciais torna-se um gesto supremo de cidadania e, sobretudo, de vivência e convivência social. E, animados pelos versos do Milton Nascimento, bradarmos que:
Nada a temer senão o correr da luta.
Nada a fazer senão esquecer o medo