A falta de fatos novos locais e a campanha no país

Meus caros. Como nossa cidade é muito pequena para ser uma metrópole e muito grande para ser um vilarejo, por vezes nós, que escrevemos sobre ela, não temos grandes notícias para contar sobre nossa amada Cajazeiras, mas vamos tentar fazer o melhor.

Em recente (e longa) conversa com meu amigo-irmão Gutemberg Cardoso, que está à frente do portal Polêmica Paraíba, ele me confidenciou, sem pedir reservas, que tem grande dificuldade para fechar seu comentário diário sobre a política estadual, tendo, às vezes, que procurar esses fechamentos nos movimentos dos 223 municípios do nosso Estado, extremamente pródigo em criar municípios, às vezes com menos de 2.000 habitantes, sendo São José de Brejo do Cruz o menos habitado, com 1.750 almas perdidas por lá. Mas que tem prefeito, vereadores, secretários e toda uma máquina municipal que precisa ter seu FPM depositado religiosamente todos os meses e cria uma intrincada rede de políticos de pequenos clãs locais, que devem ser ouvidos e, de alguma forma, satisfeitos.

Essa forma de ter muitos municípios é replicada, em menor grau, no Ceará, por exemplo, que, com o triplo da área do nosso Estado — 184.900 km² contra 56.400 km² da Paraíba —, tem 184 municípios: vilas lá são cidades aqui, e o governador de lá tem menos problemas com essas máquinas municipais. Não é à toa que o Ceará se destaca mais que a Paraíba em muitas áreas, apesar de ter 100% de seu território dentro da região semiárida.

E as prefeiturazinhas ficam trazendo notícias deprimentes para suprir, com bizarrices ou gafes, o portal de meu amigo. Nos tempos do Boca Quente, ele tinha que “garimpar” as notícias, chegando, algumas vezes, a ser protagonista de algumas delas.

Esta semana temos um show da cantora maranhense Emme Paixão, conjuntamente com o lançamento de um livro no NEC da UFPB, na antiquíssima estação ferroviária, de onde eu já parti, quando era muito jovem, para Antenor Navarro, que mudou de nome, mas nada tem a ver com o que estou escrevendo. Houve também uma visita da prefeita Corrinha ao governador Lucas Ribeiro, o que não deveria ser novidade, pois a visita de um(a) prefeito(a) ao governador para solicitar benefícios para seu município deveria ser uma coisa corriqueira e até um encontro de trabalho obrigatório entre ambos os níveis do Poder Executivo. O que deveria ser objeto de crítica foi o tempo em que o antigo governador não recebeu a prefeita da sétima cidade do Estado.

Outra notícia foi a operação policial que cumpriu 10 mandados de prisão e 20 de busca e apreensão em Cajazeiras, Sousa e mais seis municípios circunvizinhos. Sobre esse tema, tenho que informar que nosso Estado é um dos que apresentou uma das maiores reduções no índice de criminalidade do país. Tanto pelo trabalho da polícia como pelo fato de existir, na Paraíba, apenas uma facção criminosa que atua em todo o Estado: uma tal de “Nova Okaida”. Isso me foi confidenciado por um membro da nossa PM, que foi transferido do Maranhão, pois lá existem nada menos que cinco dessas organizações em atividade: PCC, CV, Família do Norte, Primeiro Comando Puro e A.D.A. Em uma cidade como Caxias, se aparecer alguém que se pareça com um membro de uma facção rival, por vezes é executado sem perguntas, conforme o relato.

E, por falar em família criminosa, não podemos esquecer a maior família criminosa que, inclusive, teve um de seus membros no mais alto cargo de nossa nação e que, por via das urnas, quase teve seu mandato estendido por mais quatro anos. Eu fico impressionado com a quantidade de atos, declarações e promessas de campanha que, feitas em um país minimamente racional, seriam consideradas crime. De lesa-pátria já nem levo em conta, mas, em alguns casos, de alta traição. Um chafurdar na lama de coisas absurdas. O pior é que esse povo tem cativos 30% do eleitorado e chances reais de ganhar a próxima eleição. Cada povo tem o país que merece. E parece que merecemos…

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