Comentei com os velhinhos da caminhada na Praça de Casa Forte o debate, na semana passada, entre o deputado Cabo Gilberto (PL) e o ex-governador Ricardo Coutinho (PT), candidatos a deputado federal. Acompanhei pela TV Diário do Sertão, de Cajazeiras.
Que houve de mais significativo?
Cabo Gilberto exibiu como trunfo ter sido escolhido o “melhor deputado em três anos seguidos” e o mais bem votado em João Pessoa em 2022. (Verdade, 58.308!) E ostentou sua atual condição de líder da bancada do PL, o partido dos Bolsonaro. Ricardo Coutinho lembrou sua ascensão política, da militância estudantil à partidária, sendo eleito vereador, deputado estadual, prefeito da capital duas vezes, governador do estado também duas vezes. O dois vieram do andar de baixo da sociedade paraibana. Ricardo, filho de mãe pobre, costureira à moda antiga. Gilberto, filho de um soldado de Polícia.
Tudo isso a Paraíba inteira já sabe.
E o debate em si mesmo, Frassales?
Um horror. Não houve agressões verbais, baixarias, aliás, hoje recorrentes entre personagens com visões ideológicas opostas. Inverdades contestadas, isso ouvimos! O debate foi pobre quanto aos temas que mais interessam ao eleitor. O líder do PL usou a tática de repisar a necessidade de derrotar o PT, apontar o governo de Lula como o pior, entre outros motivos, porque nada vez pelo Nordeste. Repetia coisas assim sem tremer os músculos da face. Seguro de sua verdade, não se viu no dever de mostrar provas, nem quando tachou como ruins os governos de Ricardo. No particular para sua categoria de policial acusou Ricardo-governador de não ter ampliado seu contingente e até o levara a passar fome! Falou do presídio do Roger etc. Requentou a Operação Calvário na tentativa de reviver o inferno astral político de Ricardo Coutinho.
Ricardo exibia, sem afetação, sua larga experiência de gestor público e notória autoconfiança. Usava seu maior trunfo junto ao eleitorado: a própria experiência política e administrativa. Realçava ter saído vitorioso de quase todas eleições de que participou e ser o único governador na história da Paraíba não nascido no seio das oligarquias. Respondeu acusações com números, nominou obras realizadas nos seus governos, poucas vezes usando a “cola”. Menos quando, leu um pedaço de papel, entregue pela assessoria, os dados referentes aos policiais civis e militares contratos em suas gestões. A contestação do Cabo Gilberto foram frases feitas.
Para Ricardo foi fácil citar de memória suas obras.
Como não dispõe de emendas parlamentares, ele percorre todas as regiões da Paraíba revisitando o que ajudou o povo a conquistar. (Me disseram que às vezes são os amigos visitados que lembram!).
Ao resumir o debate, na Praça de Casa Forte, houve quem perguntasse se o Cabo Gilberto era um careca, assim e assado, que ele vira na TV, dia desses.
– Meu Deus, ele senta na mesma bancada do padre Couto?
Deputado Padre Luiz Couto, eu disse.
– Isso mesmo… esse eu vi uma vez em Itambé, acompanhado de dois PF, quando rolava uma CPI sobre sindicato do crime! Eita caba corajoso!
Um carro de som tocando uma música que fala em “tapete vermelho” interrompeu a conversa…