O exitoso Simpósio Internacional do Pacto de Inovação no Sertão (PIS), ocorrido na última semana de julho, na cidade de Sousa, chamou a atenção da comunidade científica e dos atores do ecossistema de desenvolvimento regional sertanejo. Ao longo de três dias, representantes da academia, do governo, do setor produtivo e da sociedade civil, as quatro hélices motrizes que impulsionam o Complexo Científico do Sertão (CCS), discutiram e aprovaram estratégias que culminaram na histórica assinatura do Pacto de Inovação no Sertão.
Tudo começou no início deste ano, quando o Governo do Estado decidiu criar uma rota científico-turística em pleno Sertão paraibano, organizando uma missão técnica internacional em Barcelona, na Espanha, para prospectar investimentos, buscar parcerias com o Complexo Científico do Sertão e estabelecer o Pacto de Inovação no Sertão.
Foi uma programação extensa ao longo de cinco dias, com intensas reuniões com autoridades catalãs, visitas ao Distrito 22@Barcelona, empresas, universidades, observatórios astronômicos, museus de paleontologia e arqueologia, centros avançados de computação quântica e uma profunda imersão no ecossistema de inovação da capital catalã. Uma importante missão técnica, com a presença do governador João Azevedo e de seu staff técnico, da qual tive a honra de participar como secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia de Cajazeiras, representando a prefeita Socorro Delfino.
Criar, em pleno coração do Sertão da Paraíba, a primeira rota do Brasil que une, em torno de quatro cidades, vultosos investimentos tecnológicos de ponta nas áreas de astronomia, paleontologia e arqueologia não é algo usual; é, sim, uma quebra de paradigma. Juntas, as cidades de Aguiar, Carrapateira, Sousa e Cajazeiras, a quase quinhentos quilômetros da capital, vão receber investimentos científicos em áreas específicas distintas, na ordem de R$ 200 milhões.
Aguiar recebe o Radiotelescópio BINGO, o quarto deste modelo no mundo, fruto de um projeto de cooperação internacional que reúne vários países para estudar a energia escura e a matéria escura do universo.
A poucos quilômetros dali, em Carrapateira, surge a surpreendente Cidade da Astronomia, com um majestoso planetário que recria o céu desde o Big Bang até a formação da Terra, tudo isso reunido em uma grande estrutura que abriga espaços para exposições, praça de alimentação e auditórios.
Em Sousa, o já existente Monumento Natural Vale dos Dinossauros é conhecido mundialmente como um dos sítios paleontológicos mais importantes do mundo por apresentar uma característica raríssima: pegadas fossilizadas ao lado de inscrições rupestres. O Vale dos Dinossauros será totalmente requalificado, ganhará um novo museu e terá sua área de estudos ampliada.
Fechando essa rota imersiva que envolve tempo e conhecimento, chega a Cajazeiras o Museu de Arqueologia da Paraíba, que vai resgatar, catalogar e reunir, em um só lugar, todos os achados durante as escavações das obras da Transposição do Rio São Francisco. A proposta desse equipamento científico é mostrar a trajetória histórica da ocupação humana em nosso Estado e no Nordeste.
Embora o projeto Complexo Científico do Sertão já seja uma realidade, com parte desses equipamentos em construção e outra em fase de licitação, surge o grande desafio de consolidá-lo utilizando uma estratégia que agrega conhecimento científico ao turismo, a chamada economia do conhecimento.
Entendo a implantação do CCS não só como um fato revolucionário por redirecionar investimentos para o Sertão, visando combater os desníveis socioeconômicos dentro do próprio Estado, mas também por introduzir o viés turístico nesse programa como forma de gerar novas oportunidades de emprego e renda, impulsionando o desenvolvimento econômico sustentável. O CCS não é apenas um projeto ambicioso e inovador. É ciência pura na veia.