Avalio que já deu para Cajazeiras perceber que é bom contar com três deputados na Assembleia Legislativa do Estado. São mais pedidos, mais requerimentos, mais projetos, mais pressão, mais barulho. Mesmo quando concorrem entre si, o objeto de disputa é quase sempre uma melhoria para a cidade. Esse foi o quadro produzido nos últimos quatro anos com a eleição dos deputados Chico Mendes, Júnior Araújo e Dra. Paula, sem que essa constatação signifique avaliação do trabalho de cada, opção reservada para esfera íntima de cada.
A situação poderia ser melhor se os três parlamentares agissem sempre em conjunto, encaminhando e defendendo projetos consistentes para o desenvolvimento da cidade, embora seja preciso reconhecer que em diversos momentos houve certa unidade em torno de projetos concebidos pela sociedade civil organizada e ações da bancada na mesma direção.
Melhor ainda seria ter três representantes no Legislativo estadual e pelo menos um deputado federal, privilégio que prática e efetivamente a cidade não tem desde o início da década de 1990 quando o deputado Edme Tavares não conseguiu renovar seu mandato.
O município de Cajazeiras tem histórica presença no Poder Legislativo estadual. Porém, quase sempre solitária. Pegue-se um recorte da década de 1960 para cá e os anais da Assembleia vão registrar os mandatos solitários de Acácio Braga Rolim, Otacílio Jurema, Epitácio Leite Rolim, Edme Tavares, Antônio Quirino de Moura, José Aldemir (em dois mandatos). Mas existiram momentos em que Cajazeiras esteva na Assembleia com representação dupla: Edme Tavares e Bosco Barreto, na década de 1970; Edme Tavares e Antônio Quirino, no início dos anos 1980; Epitácio Leite e Tarcísio Telino, mandatos exercidos entre 1995 e 1999; Antônio Vituriano e Zarinha, entre 1999 e 2003; Jeová Campos e Zé Aldemir, legislaturas 2007/2011 e de 2015/2019) Zé Aldemir e Vituriano de Abreu, legislatura 2011/2014), Jeová Campos e Júnior Araújo, período 2019/2023. A primeira legislatura com representação tripla é a atual.
Qual a razão desse extenso preâmbulo? Chamar a atenção para o quadro eleitoral que se avizinha e a possibilidade de Cajazeiras não repetir a eleição de três representes para a Assembleia. Haverá prejuízo político se houver alguma baixa.
Certamente haverá contestação, mas um período de poucas conquistas de Cajazeiras ocorreu exatamente na primeira gestão do governador Cássio Cunha (2003/2006), oportunidade em que apenas Zé Aldemir conseguiu se eleger. Ocorreu que houve o lançamento de várias candidaturas e mais ninguém conseguiu se eleger.
Interessante se observar que, desde a eleição de 1994, Cajazeiras tem enviado dois representes para Assembleia, com exceção da já mencionada legislatura inaugurada em 2023.
Outro detalhe interessante nessa história é que Cajazeiras precisou da incorporação de dois nomes que, inicialmente, tinham bases noutras cidades – São João do Rio do Peixe e São José de Piranhas-, que são os casos de Zé Aldemir e Chico Mendes, para garantir a ampliação de sua representação estadual. É que ambos sempre contaram com importantes bases na região do Alto Piranhas. Ocorreu com os dois o que nunca se deu com o ex-deputado José Lacerda Neto, que nunca fez representante de Cajazeiras.
A necessidade de eleger novamente três deputados estaduais acaba não sendo um problema apenas dos partidos e esquemas políticos. É problema das lideranças da sociedade civil, responsabilidade de toda cidade. Talvez seja interessante, por exemplo, a promoção de campanhas para evitar a pulverização de votos em candidatos de fora e até evitar disputas fratricidas.
O senso recomendável é o do pragmatismo, que sugere a superação de disputas pessoais ou grupais localizadas e até divergências de cunho político-ideológico.
Nesse contexto, a candidatura do deputado Chico Mendes a suplente de senador do candidato João Azevedo também poderia ser tomada como uma oportunidade supra-partidária de representação da cidade e da região em Brasília.
O ponto fulcral é que, nestes tempos em que se faz quase todos os tipos de composições, não custa nada aos políticos reservar um espaço para a defesa de sua própria cidade. Todos por Cajazeiras. A cidade merece.