Lembranças da RAP

A celebração, em Cajazeiras, neste dia primeiro de julho, dos sessenta anos da Rádio Alto Piranhas, ou a RAP, como é carinhosamente tratada, me evocou inúmeras memórias.

A primeira delas: foi a RAP meu primeiro local de trabalho. Recém formada em Comunicação Social, pela UFPB, em 1982, neste mesmo ano, por indicação de um parente, começo a estagiar na redação da emissora, preparando, sobretudo, o Programa Olho Vivo, na época apresentado por Geraldo Nascimento e Evandro Carlos.

O programa sempre era aberto por um editorial, ou artigo, “filado” de jornais impressos, estadual e/ou nacional. Certo dia pergunto ao Geraldo Nascimento: se eu escrevesse o artigo ele leria na abertura do programa?

Ele partilhou comigo a ousadia e assim, elaborei o artigo que, para surpresa, agradou os ouvintes e, também, a direção da emissora que, por determinação, estabeleceu que meus artigos teriam prioridade e, por que não, obrigatoriedade diária, na apresentação do programa.

Assim, nasceu, lá pelos idos de 1983, a jornalista Mariana Moreira.

Mas, as lembranças da RAP vão mais além.

Por ser uma emissora que, inicialmente, pertencia a Diocese de Cajazeiras, sempre teve em sua programação todo um viés de programas religiosos.

Assim, aos domingos, as dezenove horas, a transmissão da missa da catedral de Nossa Senhora da Piedade quando a voz e a inteligência do bispo Dom Zacarias Rolim de Moura reverberavam pelo rádio de pilha instalado na mesinha da sala de fora de minha casa em Impueiras. Ali meu pai reunia a família para, em silêncio, acompanhar a celebração.

Também era audiência cativa os programas semanais apresentados por vários padres da Diocese. Entre estes, os que mais me fascinavam eram aqueles apresentados pelos padres Domingos Cleides Claudino e Gervásio Fernandes de Queiroga. Ao lado de papai, me encantava com as pregações destes padres que traziam para a discussão questões que foram suscitadas pelo Concílio Vaticano Segundo e, principalmente, por linhas mais avançadas da igreja como aquela que trazia como lema a “opção preferencial pelos pobres”.

Outros programas que me prendiam a atenção eram o Discoteca Dinamite, apresentado, diariamente, à noite, após a Voz do Brasil, por Zeilton Trajano e Júlio Bandeira. Mas, sobretudo, me encantava pelo Mini Discoteca Dinamite, apresentado diariamente, pela manhã, pela artista e teatróloga Íracles Pires. Tratando de uma diversidade de assuntos, locais, regionais e mundiais, e, também, sempre fazendo críticas a problemas que afetavam a comunidade local, Ica, como carinhosamente era tratada, me inspirou a ser jornalista e, quiçá, dividir o espaço que ela, inteligentemente, instituiu.

Assim, a RAP foi se constituindo em parte importante de minha vida e, nas celebrações dos seus sessenta anos, ainda trago, em momentos vários, a lembrança das rosas que, roubadas dos jardins das mansões da Rua Victor Jurema, me eram ofertadas, na redação, quase que diariamente, por Toinha, ou Noventa e Nove, como era conhecida essa folclórica personagem de nossa cidade.

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