Nossa região e suas potencialidades negadas

Meus caros leitores. Nossa cidade, que eu sempre critiquei bastante e, por vezes, com severidade excessiva, pois, para sensibilizar pessoas insensíveis, a gente tem que carregar nas cores mesmo, tem que ser defendida e até atacar as nossas outras cidades e, como estamos no Nordeste, regiões.

Na última sexta-feira, compareci a um almoço antecipado comemorativo ao Dia dos Pais, num hotel da nossa Capital. Entre os participantes havia um casal de catarinenses que, com muita educação, achava sua capital muito limpa e organizada e nos convidava para ir visitá-la. Peraí, logo pra riba de moi? Sertanejo do polígono das secas? Respondi imediatamente: Vocês não conhecem o que é a realidade do Nordeste! Sabe o que é plantar no seco com uma chibanca? Eles não sabiam nem o que era uma chibanca…

Essas enxadinhas de vocês não arranham o solo de um carrasco, tem que ser numa picareta com ponta de lâmina para abrir buraco. O sertanejo planta, chove e, quando nasce, passa um mês sem chover e morre. Faz a segunda planta, na enxada, e depois morre. E faz a terceira, aí apanha umas espiguinhas mirradas. Pode perder 70% da colheita. E um cara desses é “preguiçoso”? Tem a sobrevivência, e quando tem…

Uma ajuda de 300 reais dá para não passar fome, e nada mais. Existem os irresponsáveis, como em todo o país, mas lá no Sul, os colonos receberam passagens, terras e incentivos; a gente recebeu a fome e o desprezo, assim como os escravos libertos. A prometida venda da “Última Joia da Coroa do Império” para mitigar a fome de 1877 nunca foi cumprida. A Coroa ainda está lá, no Museu de Petrópolis, e deveria estar, pois não resolveria…

Tivemos 1915. Em Cajazeiras, se construiu o que chamamos de Açude Grande, com verbas conseguidas por Epitácio Pessoa. As barragens de Coremas e Boqueirão, aqui e em Campina Grande, também no governo de Epitácio, as estradas para os nordestinos saírem e encontrarem centros mais desenvolvidos, e ergueram São Paulo, Rio e Brasília e, depois de um século e com vários atrasos, está chegando a Transposição do São Francisco, que começou com Lula. Os nordestinos cuidando do Nordeste, como tem que ser.

Dos sulistas, nada, a não ser discriminação e preconceito. Mas aceitam os donativos dos miseráveis daqui quando de suas enchentes e calamidades. O problema é que todos têm direito às suas opiniões, mas não aos fatos. Assim, os chineses “descobriram” que nosso sol causticante gera energia e nossos ventos constantes também, e disso estão se aproveitando, gerando bastante economia para eles e para todos nós, pobres vagabundos inúteis.

E vieram escolas, o analfabetismo diminuiu, o ensino superior hoje é exigido em quase todas as escolas. Em 2010, houve a maior seca dos novos tempos (nem em janeiro choveu), mas não houve as temidas “invasões dos flagelados” que a gente sempre teve tanto medo. A miséria do Bolsa Família pôs comida na mesa dos possíveis invasores e esses, saciados, não precisaram tomar aquelas atitudes desesperadas. O Nordeste cresce mais do que os estados do Sul-Sudeste, sem uma Itaipu, sem uma Rio-Niterói. A ferrovia Transnordestina está para ser terminada, e os portos do Pecém e Suape estarão na metade do percurso para a Europa, do Porto de Santos ou Paranaguá…

Vão arrancar uma, duas, mil flores, mas não vão deter a chegada da Primavera. A famosa frase antinazista…

Isso aí.

Sem defuntos para lamentar.

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