Meus caros heróis. Tendo em vista que a aproximação das próximas eleições é a única matéria que vem circulando em todos os meios de comunicação nos últimos dias, eu vou tentar contrariar a maré e lhes oferecer um texto que não deveria ter nada a ver com essa campanha e, ao mesmo tempo, se insere nela.
Recentemente, ouvi num vídeo da show-woman Anitta, que vem repercutindo bastante aonde quer que se vá, um trecho do mais famoso “Afrosamba” de Vinícius e Baden Powell: “O Canto de Ossanha”, que, desde menino, eu ouvia e ao qual tinha uma certa reverência. A música começa com a seguinte frase: “O homem que diz sou, não é…” e fala no “Canto de Ossanha”: traidor.
Então, eu, que já tentei estudar bastante a natureza humana, principiando com a minha própria natureza, sempre tive o “insight”, a autoconvicção de que nós vivemos nos traindo primeiro para, num segundo momento, traírmos outras pessoas.
Temos o mais famoso caso da maior traição da História, a de Judas Iscariotes, que, por vinte moedas de prata, entregou Jesus aos guardas dos sacerdotes através de um beijo. Primeiramente, Judas se traiu: achou que, assim fazendo, seu ato não haveria de ter as terríveis consequências que seu mestre e protetor, no qual acreditava — pois ele foi um dos doze que saíram e voltaram contando os feitos, prodígios e milagres que tinham praticado em nome de Jesus — lhe havia anunciado. Tanto que tentou devolver o pagamento e, totalmente inundado pelo remorso, se autoimolou para não conviver com as terríveis consequências de seu ato.
São incontáveis esses momentos ao longo da História: Brutus, que apunhalou o pai biológico, César, e que sofreu com isso, e toda a História o condena até hoje.
Então, ao par dessa pequena digressão histórica, vem o que desejo apresentar para vocês, para ler algo diferente nesse período pré-eleitoral: sempre que a gente vive apontando o dedo para os outros, apresentando possíveis defeitos nas outras pessoas, podemos estar vendo nos outros defeitos que, na realidade, são nossos; a famosa trave no nosso olho não retirada, enquanto apontamos ciscos nos olhos alheios.
Um exemplo pessoal: passei muitos anos trabalhando numa empresa familiar em que me acusavam de ter “marcação” com determinados funcionários. Com o tempo, e eu sempre tomando as maiores precauções para com todos os meus subalternos, pois nunca apontei um erro pessoal perante outros, pois isso é uma humilhação, nem repreendi “o conjunto da obra”, mas o fato específico. Com o passar do tempo, e convicto de que tal coisa não existia, e continuando sempre a receber esse tipo de crítica, cheguei à conclusão de que “eu é que estava sofrendo dessa tal ‘marcação’”, o que hoje conhecemos pelo nome de assédio moral.
Tenho uma amiga muito querida que tem, como defesa “das mulheres”, o costume de chamar quase todo mundo do sexo masculino de “machista”, essas coisas dessas tais “feministas”, que eu, como não possuo o aparelho reprodutor das fêmeas, nunca vou conseguir entender completamente. Mas, sobre essa minha amiga, eu consegui chegar a uma conclusão bem nítida: na realidade, ela é um ser machista, faltando apenas o aparelho reprodutor adequado. No resto, atitudes, gestos, palavras, opiniões etc., comporta-se exatamente de forma “machista”: ela ataca o que, na realidade, é…
Fico por aqui. Vamos às urnas!!!
P.S. – Dedico essas linhas ao meu grande amigo Júnior Delfino, um dos responsáveis pela minha recondução para a Santa Madre Igreja Católica. Tinha tanta bondade, que dispensa julgamentos. Vá em paz, meu grande amigo!