Em Cajazeiras, nos anos 1960, havia vendedores de diversas guloseimas, e o pirulito na tabuleta era uma tradição de várias décadas. Na minha memória, vem a figura de um garoto vendedor ambulante, portando um tabuleiro com “pirulitos de cone”, feitos à base de açúcar, limão, mel e água.
Para ajudar os pais nas despesas de casa, adolescentes vendiam pirulitos nas portas das escolas e em tantos outros lugares. Naquela época, garotos trabalhavam em diversas áreas profissionais como aprendizes, porque isso não era proibido por lei.
Nas feiras, vendedores de mercadorias diversas, às vezes, faziam propaganda de seus produtos na base do grito improvisado, a exemplo do garoto vendedor de pirulitos que anunciava: “Olha o pirulito enrolado no papel e enfiado no palito!”. Outro gritava: “Pirulito americano: quem tem dente chupa cana, quem não tem come banana!”.
Eu achava legal o visual do tabuleiro com os pirulitos encaixados. Muitas vezes, tinha de chupar o pirulito com papel e tudo, pois o sol forte derretia o caramelo e o papel grudava, ficando difícil retirá-lo. Sabor de saudade! Sabor de infância!
Produzidos artesanalmente, a maioria era fabricada no fundo dos quintais, onde os pirulitos tinham a forma de um guarda-chuva fechado. Feitos com açúcar em ponto de caramelo, um palito resistente e enrolados em papel de embrulho, eram colocados em uma tábua retangular cheia de furos. Alguns tabuleiros podiam ter até 100 pirulitos.
Havia, ainda, os pirulitos em forma de chupetinha, revólver, coraçãozinho, galinha e tantas outras formas.