Saudades do trem, porém com esperança

Em julho de 2008, portanto, passados 18 anos, foi a última vez que vi um trem “bufando” nos áridos sertões da Paraíba e já há muitos anos que não via um trem e qual a minha surpresa,  quando de repente, ao cruzar os trilhos da velha linha de ferro que corta a estrada estadual que interliga os municípios de São João do Rio do Peixe a Cajazeiras, parei meu automóvel e desci e como uma criança embevecida diante de seu primeiro brinquedo fiquei admirando a passagem de duas potentes locomotivas que puxavam um grande número de vagões. O trem vinha de Fortaleza com destino a cidade de Recife. Que alegria imensa eu senti. Fato que até hoje não tenho explicação, para tamanha alegria e perplexidade.

Aquela imagem continua gravada na minha memória e sempre penso qual foi o tamanho da alegria que o povo de Cajazeiras não sentiu nos idos de 1922, no ano do centenário da Independência do Brasil, no dia 14 de novembro, às vésperas do término do mandato do presidente da República Epitácio Pessoa, ele presenteou esta região com a linha do trem, cuja inauguração festiva foi realizada no dia 05 de agosto de 1923, portanto há 103 anos atrás.

A cidade de Cajazeiras teve seu trem, o transporte dos pobres e dos ricos até o ano de 1964. A velha locomotiva já não bufava e soltava fumaça pelas ventas ao subir a Serra da Arara para chegar até a Estação, em Cajazeiras, com seu apito que varava as ruas, becos e vielas da cidade.

A retirada do trem da linha São João – Cajazeiras, segundo o professor Antonio José de Sousa “caiu sobre esta cidade como uma chuva de granizo jogada violentamente das alturas dos céus nas noites tempestuosas de inverno. Cajazeiras ficou atônita. O seu povo se julgou humilhado, desprestigiado, completamente desnorteado, sem atinar a causa que motivou esta desgraça para a nossa terra”.

Vários protestos foram feitos, muitas lutas e inúmeras viagens realizadas na tentativa de fazer voltar o trem, mas todas as nossas esperanças findaram quando começaram a arrancar os trilhos da nossa estrada de ferro. Com eles se foram as nossas esperanças. E eles que representavam a grandeza e a prosperidade do sertão transportar a riqueza de outras regiões.

O governo federal, no ano de 2006, resolveu dar inicio a construção da Ferrovia Transnordestina, idealizada no tempo do Império pelo Barão de Mauá, que vai ligar a cidade de Eliseu Martins no Piauí aos portos de Pecém (Ce) e Suape (PE), um projeto de  bilhões de dólares e cujo traçado vai beirar o Estado da Paraíba.  Será que vamos poder ter um ramal para que os sertões da Paraíba sejam interligados à Transnordestina?

Qual a razão para que, pelo menos o município de Cajazeiras, tenha uma ferrovia que possa interligar aos portos do Ceará e Pernambuco?

Resgatando as minhas anotações sobre a existência de minério de ferro no território do município de Cajazeiras, encontrei  que  lares e cujo traçado vai beirar o Estado da Pariaudo Impentruçrandeza e a prosperidade do sertuma  empresa, a  Brasil Nordeste pretendia investir R$ 850 milhões em extração e beneficiamento de minério no sertão paraibano e já havia aberto uma filial em Cajazeiras. A expectativa era dar início à operação já no segundo semestre de 2013. As áreas a serem exploradas ficam nas cidades de Cajazeiras, Sousa, São José da Lagoa Tapada, São José de Piranhas e Carrapateira. Entretanto, o local de instalação da fábrica ainda está indefinido. A Brasil Nordeste estaria realizando outros estudos para escolher a cidade e recuperar os 520 quilômetros que ligam Cajazeiras ao porto de Cabedelo para viabilizar o escoamento do minério. Hoje talvez, seria mais viável interligar esta região sertaneja à Transnordestina.

Passados 13 anos o projeto continua engavetado e ninguém viu, por parte de nossas lideranças, qualquer mobilização para emplacar estes investimentos na nossa região. Por enquanto, vivemos de sonhos e de projetos.  Quem dá noticias da empresa Brasil Nordeste?

As saudades do trem continuam, mas as esperanças que ele volte aos sertões da Paraíba ainda não morreram.

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